Gosto de escrever desde criança. Tive um diário por muito tempo.Agora, promovo este exercício de ficção, que,de certa forma, é uma catarse, onde solto meus demônios e me dá um enome prazer. Todos os meus contos são de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência. Esse espaço é para deixar minha imaginação voar. Utilizarei muito o recurso literário de escrever na primeira pessoa. Não confundam a autora com a personagem. Este blog defende UMA PALESTINA LIVRE
terça-feira, 6 de outubro de 2009
I have just finished a big and great article for a magazine. So my mind is tired. It's my fibromyalgia. Please forgive me but I'm still working on my next chapter. Thank you all for reading my novel and supporting me.
Estou cansada por causa de um trabalho que fiz. Somente no último mês, 700 leitores estrangeiros acessaram esse blog através de comunidades blogeiras internacionais. Por isso, os comentários dos gringos aqui. Volto logo, para desespero de Alice, Luzia e Marta.
domingo, 7 de dezembro de 2008
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Eu estava com BB King na mente e até no toque no meu celular. Dudu, meu secretário e do Alan, um gay divertidíssimo e louco, conseguiu colocar The Thrill is gone no toque meu celular, que ganhei da Gazeta. É mais uma dessas geringonças modernas de última geração. Não o sabia usá-lo inteiramente. O máximo que conseguia era passar e-mails. Ao contrário da canção, eu estava eletrizada mais que Itaipu.
The Thrill Is Gone
The Thrill Is GoneThe thrill is gone The thrill is gone away The thrill is gone baby The thrill is gone away You know you done me wrong baby And you`ll be sorry someday The thrill is gone It`s gone away from me The thrill is gone baby The thrill is gone away from me Although, I`ll still live on But so lonely I`ll be The thrill is gone It`s gone away for good The thrill is gone baby It`s gone away for good Someday I know I`ll be open armed baby Just like I know a good man should You know I`m free, free now baby I`m free from your spell Oh I`m free, free, free now I`m free from your spell And now that it`s all over All I can do is wish you well
VEJAM O REI BB KING CANTANDO ESSE BLUE COM ERIC CLAPTON E PHIL COLLINS
Já que fiz a besteira de me deixar levar pelo Paulo- nunca me envolvi com chefes e colegas do mesmo jornal-, iria jogar duro para conquistar uma polpuda aposentadoria e poder. Iria me transformar naquilo que mais odiava: uma legítima alpinista social. E obteria tudo o que estava borbulhando na minha mente. Era uma atitude kamikaze, um verdadeiro hara-quiri. Poderia explodir. Porém, iniciei uma game com Paulo para mostrar-me difícil e mais saborosa para o milionário filhinho de papai. Primeiro passo foi fingir que iria colocar um ponto final nessa história diante do argumento que ele me machucaria e me abandonaria em questão de tempo. Repetiria que estava certa que sairia ferida assim que ele enjoasse da sua nova aquisição e encontrasse um brinquedo novo. Vou fugir. Paulo tinha uma bula imensa de efeitos colaterais e adversos.
Meu retorno ao trabalho iniciou-se numa editoria que odeio: Caderno de Esportes. Como a Esfínge queria que eu passasse por todas as áreas de produção do jornal, iria editar ao lado de Greg. Ele estava se divertindo. Não escondi que não sei, não entendo e detesto tudo ligado ao esporte. Ele toca numa banda de blues. Não era coincidência. Tive aulas de canto em Brasília e as retomei no Rio. Sou completamente desafinada e, caso cantasse, espantaria todos. Consegui melhoras. Ele me convidou para assistir à sua banda num pub do Rio, em Botafogo, em um lugar escondido. Acho que é somente para iniciados. Aceitei o convite.
Comecei meu plano para deixar Paulo louco por mim. Para fugir dele, deixei meu celular com Dudu. Ficaria a maior parte do tempo fora da minha sala. Se o Paulo, dono do jornal, quisesse falar com a Suzana repórter especial, ligaria para a editoria de esportes. Dudu disse-me que Paulo havia me ligado cinco vezes no celular, na tarde de quinta-feira. Não retornei nenhuma ligação. Ele deveria estar puto. Será? Quando telefonou para o esporte, eu estava fora. Fui a um restaurante vegetariano para tomar uma sopa, antes que fechasse.
Quando abri a porta do meu apartamento, já passava de 1 hora da manhã. O telefone tocava. Deixei cair na secretária eletrônica. Em seguida, Paulo insistiu no celular da empresa. Não atendi. Depois, desliguei e deixei apenas o celular de Brasília ligado. Na redação, somente Alan e Dudu tinham o número. Dormi e acordei às 11 horas por causa de outra ligação do Paulo. Resisti. Dizia que iria para São Paulo. Passaria três dias por lá, cuidando da compra de um diário da capital e a possibilidade do grupo editar uma revista mensal de comportamento. Ele me disse uma dúzia de palavrões. Indagou o que estava acontecendo e o motivo da minha fuga. Mais. Disparou que odiava o meu comportamento. Coloquei uma legging e uma camiseta. Fui caminhar no calçadão. Aproveitei para almoçar uma salada. Cheguei ao jornal. Dudu foi me alertando que "doutor Paulo ligou para você umas três vezes e mandou ligar para ele" Alan ouvia com muita curiosidade. Eu disse que ninguém mandava em mim por que não sou escrava e que "esse dono de jornal fosse à merda".
Alan se espantou e me interrogou. Parecia delegado de polícia.
-Eu estou cheia...Não estou bem e não sei se quero ficar aqui e neste jornal.
-Aconteceu algo. Eu posso até imaginar, mas não vou nem falar. Você me bateria ou jogaria aquela cadeira no meu aquário. Já pensei que isso pudesse ocorrer. Fique calma. Não se envolva mais. Ao contrário daquilo que você enxerga em mim, eu não sou sacana e gosto de você. Na faça nenhuma besteira. Você é uma ótima profissional e uma mulher que certamente merece algo melhor. Não ponha caraminholas na cabeça. Só eu percebi o que se passa.
-Não sei.
Saí. Então, Alan já conhecia o meu segredo. Será que Paulo contou algo? Eu o mataria. Alan me paparicou, Chamou-me para sair, na quinta-feira. Aceitei. Iria chegar mais tarde na sexta por causa do fechamento da edição de final de semana. Aceitei. Antes de sair com mais um chefe, escrevi um e-mail para André Com cópia oculta para Jean Claude.
De: "suzanark24" Prioridade: Alta
Para: Andre Bragança Cópia: Cópia Oculta: Jean Claude Assunto:Je suis folle
André, estou doida, maluca, aloprada, tresloucada...Fiz em pouco mais de dois de meses tudo aquilo que deixei de fazer enquanto estive fora da grande mídia. Seu amigo Paulo e eu fomos para a cama. Conseguir colocar merda no meu próprio ventilador. Decidi tirar proveito dessa situação e conseguir todo o poder possível no jornal. Sei como funciona a cabeça dele, já comecei a jogar para que eu o atraia mais. O difícil é sempre mais saboroso. Posso até sair do jornal provisoriamente para conseguir o que almejo. Uma velha fonte minha, um clássico intelectual que conheci quando era foca, no Governo Sarney, chamou-me para chefiar um fundação de um grupo empresarial para democratizar a comunicação, como projetos de jornais comunitários em favelas de cinco capitais. Ganharia a mesma coisa, não teria as mordomias. Pretendo me tornar uma das mulheres mais poderosas da mídia. Você está me escondendo o quê? Não me contou como foi sua conversa com Paulo. Isso já tem mais de um mês. Um soco no olho, Suzana. Decidi to play the game. Vou ser a mais bem-sucedida alpinista social. Deixarei Alice com inveja. Se ela presidente virou presidente de uma agência e vou ser dona de uma.
Eu estava com BB King na mente e até no toque no meu celular. Dudu, meu secretário e do Alan, um gay divertidíssimo e louco, conseguiu colocar The Thrill is gone no toque meu celular, que ganhei da Gazeta. É mais uma dessas geringonças modernas de última geração. Não o sabia usá-lo inteiramente. O máximo que conseguia era passar e-mails. Ao contrário da canção, eu estava eletrizada mais que Itaipu.
The Thrill Is Gone
The Thrill Is GoneThe thrill is gone The thrill is gone away The thrill is gone baby The thrill is gone away You know you done me wrong baby And you`ll be sorry someday The thrill is gone It`s gone away from me The thrill is gone baby The thrill is gone away from me Although, I`ll still live on But so lonely I`ll be The thrill is gone It`s gone away for good The thrill is gone baby It`s gone away for good Someday I know I`ll be open armed baby Just like I know a good man should You know I`m free, free now baby I`m free from your spell Oh I`m free, free, free now I`m free from your spell And now that it`s all over All I can do is wish you well
VEJAM O REI BB KING CANTANDO ESSE BLUE COM ERIC CLAPTON E PHIL COLLINS
Já que fiz a besteira de me deixar levar pelo Paulo- nunca me envolvi com chefes e colegas do mesmo jornal-, iria jogar duro para conquistar uma polpuda aposentadoria e poder. Iria me transformar naquilo que mais odiava: uma legítima alpinista social. E obteria tudo o que estava borbulhando na minha mente. Era uma atitude kamikaze, um verdadeiro hara-quiri. Poderia explodir. Porém, iniciei uma game com Paulo para mostrar-me difícil e mais saborosa para o milionário filhinho de papai. Primeiro passo foi fingir que iria colocar um ponto final nessa história diante do argumento que ele me machucaria e me abandonaria em questão de tempo. Repetiria que estava certa que sairia ferida assim que ele enjoasse da sua nova aquisição e encontrasse um brinquedo novo. Vou fugir. Paulo tinha uma bula imensa de efeitos colaterais e adversos.
Meu retorno ao trabalho iniciou-se numa editoria que odeio: Caderno de Esportes. Como a Esfínge queria que eu passasse por todas as áreas de produção do jornal, iria editar ao lado de Greg. Ele estava se divertindo. Não escondi que não sei, não entendo e detesto tudo ligado ao esporte. Ele toca numa banda de blues. Não era coincidência. Tive aulas de canto em Brasília e as retomei no Rio. Sou completamente desafinada e, caso cantasse, espantaria todos. Consegui melhoras. Ele me convidou para assistir à sua banda num pub do Rio, em Botafogo, em um lugar escondido. Acho que é somente para iniciados. Aceitei o convite.
Comecei meu plano para deixar Paulo louco por mim. Para fugir dele, deixei meu celular com Dudu. Ficaria a maior parte do tempo fora da minha sala. Se o Paulo, dono do jornal, quisesse falar com a Suzana repórter especial, ligaria para a editoria de esportes. Dudu disse-me que Paulo havia me ligado cinco vezes no celular, na tarde de quinta-feira. Não retornei nenhuma ligação. Ele deveria estar puto. Será? Quando telefonou para o esporte, eu estava fora. Fui a um restaurante vegetariano para tomar uma sopa, antes que fechasse.
Quando abri a porta do meu apartamento, já passava de 1 hora da manhã. O telefone tocava. Deixei cair na secretária eletrônica. Em seguida, Paulo insistiu no celular da empresa. Não atendi. Depois, desliguei e deixei apenas o celular de Brasília ligado. Na redação, somente Alan e Dudu tinham o número. Dormi e acordei às 11 horas por causa de outra ligação do Paulo. Resisti. Dizia que iria para São Paulo. Passaria três dias por lá, cuidando da compra de um diário da capital e a possibilidade do grupo editar uma revista mensal de comportamento. Ele me disse uma dúzia de palavrões. Indagou o que estava acontecendo e o motivo da minha fuga. Mais. Disparou que odiava o meu comportamento. Coloquei uma legging e uma camiseta. Fui caminhar no calçadão. Aproveitei para almoçar uma salada. Cheguei ao jornal. Dudu foi me alertando que "doutor Paulo ligou para você umas três vezes e mandou ligar para ele" Alan ouvia com muita curiosidade. Eu disse que ninguém mandava em mim por que não sou escrava e que "esse dono de jornal fosse à merda".
Alan se espantou e me interrogou. Parecia delegado de polícia.
-Eu estou cheia...Não estou bem e não sei se quero ficar aqui e neste jornal.
-Aconteceu algo. Eu posso até imaginar, mas não vou nem falar. Você me bateria ou jogaria aquela cadeira no meu aquário. Já pensei que isso pudesse ocorrer. Fique calma. Não se envolva mais. Ao contrário daquilo que você enxerga em mim, eu não sou sacana e gosto de você. Na faça nenhuma besteira. Você é uma ótima profissional e uma mulher que certamente merece algo melhor. Não ponha caraminholas na cabeça. Só eu percebi o que se passa.
-Não sei.
Saí. Então, Alan já conhecia o meu segredo. Será que Paulo contou algo? Eu o mataria. Alan me paparicou, Chamou-me para sair, na quinta-feira. Aceitei. Iria chegar mais tarde na sexta por causa do fechamento da edição de final de semana. Aceitei. Antes de sair com mais um chefe, escrevi um e-mail para André Com cópia oculta para Jean Claude.
De: "suzanark24" Prioridade: Alta
Para: Andre Bragança Cópia: Cópia Oculta: Jean Claude Assunto:Je suis folle
André, estou doida, maluca, aloprada, tresloucada...Fiz em pouco mais de dois de meses tudo aquilo que deixei de fazer enquanto estive fora da grande mídia. Seu amigo Paulo e eu fomos para a cama. Conseguir colocar merda no meu próprio ventilador. Decidi tirar proveito dessa situação e conseguir todo o poder possível no jornal. Sei como funciona a cabeça dele, já comecei a jogar para que eu o atraia mais. O difícil é sempre mais saboroso. Posso até sair do jornal provisoriamente para conseguir o que almejo. Uma velha fonte minha, um clássico intelectual que conheci quando era foca, no Governo Sarney, chamou-me para chefiar um fundação de um grupo empresarial para democratizar a comunicação, como projetos de jornais comunitários em favelas de cinco capitais. Ganharia a mesma coisa, não teria as mordomias. Pretendo me tornar uma das mulheres mais poderosas da mídia. Você está me escondendo o quê? Não me contou como foi sua conversa com Paulo. Isso já tem mais de um mês. Um soco no olho, Suzana. http://rpc.copygator.com/ping/
In my solitude You haunt me With dreadful ease Of days gone by
In my solitude You taunt me With memories That never die
I sit in my chair And filled with despair There’s no one could be so sad With gloom everywhere I sit and I stare I know that I’ll soon go mad
In my solitude I’m afraid Dear lord above Send back my love
Ao entrar na redação da Gazeta, percebi que algo muito ruim havia acontecido. Alan, o manda-chuva, berrava e discutia com o editor de política. Ele estava realmente furioso e quase fora de si. Paralisou todos. Espantados, temerosos e incrédulos, o silêncio tomou conta.
-Esta mulher é doida. Tem Síndrome do Pânico, depressão...Precisa ser internada. Faltou ao plantão. Não deu explicações. Sumiu. Não atende nenhum telefonema. Quem ela pensa que é? A dona do jornal? Como vamos fazer para encher uma página inteira de jornal, tradição da Gazeta toda quarta-feira, com a série “Economistas sem economês?”. Ela disse que já estava com a matéria quase pronta. Eu a quero no olho da rua!
Fui direto para minha sala. Descobri que ele se referia a Lúcia. Pressenti que algo grave se passara com ela. Nos meus dois meses em que estou na Gazeta, percebi que é uma excelente repórter. Trabalha demais. Fica até tarde, mesmo depois do fechamento, adiantando seu trabalho. Alan foi injusto. Esperei ele se acalmar. Entrei na sala dele e fui logo me sentando. Fui suave porque sabia que ele podia ter outra explosão. Não tinha intimidade com Lúcia, mas não esqueço o carinho dela quando eu mesma quase tive uma crise de pânico, no banheiro, ao me preparar para o primeiro de muitos jantares com Paulo, o dono do pedaço.
-Alan, resolvo esse problema para você. Tenho três fontes que já concordaram em dar me entrevista pelo telefone e gravada. São nomes de peso. Já preparei perguntas úteis e divertidas para os nossos leitores. Posso fazer isso?
-Suzana, você já emagreceu de tanto trabalhar. Você é essencial para mim. Vou sobrecarregá-la ainda mais. Se você quiser fazer isso, tudo bem. Quer proteger a doida da Lúcia. Não quero você doente. Já falei para o Paulo que você está extrapolando. Vou fixar um horário para você entrar e sair. Você necessitará de equilíbrio físico e mental quando assumir Brasília e arrumar aquele salão de chá de mulherzinhas. Pode fazer, mas depois vai para casa descansar. Isso é uma ordem, ouviu mocinha? Dê a gravação para um dos rapazes da informática tirar.
-Está bem. Alan, a Lúcia não tem família no Rio e, pelo pouco convívio que tive com ela, percebi que é muito responsável. Alguma coisa aconteceu e não deve ser nada boa. Ela pode ter sido assaltada ou sofrido um acidente.
-Você virou advogada de defesa dela?
-Só acho que alguém deve ir até ao apartamento dela, tocar a campainha. Se não atender, chamar a polícia ou síndico para abrir a porta. Estou com um péssimo pressentimento. Mande o gaúcho fazer isso. Eles são muito amigos.
-Está bem.
Liguei para uma das minhas fontes. Coloquei-me no lugar da maioria dos leitores que não compreendem patavinas do que nossos repórteres escrevem pelo simples motivo de que eles também não sabem o que dizem aos coitados dos assinantes. Ficou ótimo. Alan adorou. Vai para a primeira página. Pedi que não colocasse meu nome. Não queria magoar a Lúcia.
-Nada disso mademoiselle. Vai com seu nome sim porque aqui não é casa de caridade ou filantropia. Foi a melhor entrevista que já vi nessa parte do jornal. Você merece. E mais ainda: vou assinar seu nome na primeira página.
-Não vou discutir com você. Não estou me sentindo bem. Estou com uma terrível enxaqueca e já vomitei várias vezes. Acho que minha pressão está baixa.
Ao me levantar para conversar com o editor de economia, eu senti um aperto no peito, na garganta e uma tontura. Não me lembro de mais nada. Quando acordei, estava deitada no sofá da sala do Alan. Fechei os olhos. Estava sonolenta. Senti que alguém segurava minha mão. Num esforço enorme, finalmente consegui abrir meus olhos e levei um susto. Era Paulo, branco como sofá.
-O que aconteceu? O que faço aqui?
-Você desmaiou por conta da sua mania de perfeição. Agora, vai comigo à Clínica São Vicente, nem que eu tenha que levá-la à força.
-Meu convênio não inclui isso. Esqueceu que não suas amigas milionárias?. Por favor, abra a minha bolsa, pegue minha agenda e procure o número da Goldencross. Veja qual é o pronto-socorro mais perto.
-Nada disso. Sou responsável pela sua vinda para o Rio e não sabia que você ficou maluca, trabalhando até 2 horas da manhã. Nesta semana, não quero ver você aqui. Estamos entendidos?
Tive que sair amparada por Paulo e Alan. Eu estava grogue e com dores por todo o corpo. Os dois me colocaram no carro de Paulo. Dormi. Despertei com um enfermeiro e Paulo me chamando. Uma cadeira de rodas me esperava. Estava com muito medo. Eu tenho fibromialgia. Estava bem. Caminhava todos os dias antes do trabalho e tinha acabado de comprar uma bicicleta ergométrica. Não podia ser castigada com crises fortes que não sofria há muito tempo.
Quatro médicos me avaliaram. Um neurologista, um reumatologista, um psiquiatra e um clínico geral. Fiz uma ressonância magnética na cabeça, exames de sangue e de urina. O diagnóstico: stress. Todos foram unânimes: - A senhora está muito estressada e, pelo que Paulo me contou, tem trabalhado como uma workaholic. Vai ficar três dias aqui. Vamos dar soro com suplementos e remédios para a dor. Um psicólogo fará sessões de duas horas todos os dias. Paulo já conseguiu 10 vidros de Lyrica e esse medicamento importado afastará novas crises.
Já sabia que a Lyrica foi o primeiro medicamento aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration. Agência do Tio Sam que fiscaliza e regula a produção de remédios, alimentos e cosméticos)para o tramento da fibromialgia. Não há previsão de lançamento no Brasil e a importação é cara. Precisaria de doses altas nos momentos de crise muito fortes.
Paulo já havia pego minhas chaves e mandado sua secretária de confiança trazer roupas, pijamas, produtos de higiene. Minha única preocupação eram os meus pais. Eles não podiam saber disso. Minha mãe enlouqueceria de preocupação e os dois acabariam vindo para o Rio. Eu estava em quarto que parecia uma suíte de luxo de um hotel cinco estrelas. Levei um susto quando Paulo disse que já havia falado com meu pai para tranqüilizá-lo. Não contaria para minha mãe. Eu telefonaria todos os dias como se estivesse bem. Esse homem me surpreendia mais uma vez. Visitava-me antes de ir para o jornal. Dormiu como meu acompanhante as três noites que passei nessa clínica de rico. É uma caixinha de surpresas. Deixei o hospital com uma recomendação de uma semana de licença. Não concordei, mas não houve modo de alterar isso. Paulo me levou para meu apartamento e deixou "seu Chico", mordomo, cozinheiro, secretário e praticamente um membro da família, durante o dia comigo. Ele preparou pratos recomendados pela nutricionista. Acho que se surpreendeu com minha simplicidade. Logo no primeiro almoço que preparou, falei para ele colar mais um prato e talheres para comer comigo. Negou até eu ameaçar abrir uma garrafa de vinho porque estava me sentido só. Rendeu-se.
No primeiro dia, já eram 21 horas e esse ser humano gentil ainda estava no meu apartamento. Disse-lhe que podia ir. Ele respondia que tinha ordens de somente largar o serviço após a chegada “doutor Paulo”. O que estava acontecendo? Eu nunca fui tão mimada assim por um homem dessa forma. Não discuti e fui dormir. No meio da noite, acordei com sede. Paulo estava do meu lado e com os olhos bem abertos. Eu dei um pulo da cama.
_O que é Suzana? Não está se sentindo bem?
-Não é isso. Estou com muita sede e preciso fazer xixi.
-Vá ao banheiro que eu pego água para você.
- Por quê?
-Não entendi.
-Por que você está me tratando com tanta doçura?
-É o que tenho vontade de fazer.
-Perguntei por Lúcia e ele me deu uma resposta lacônica. Achei esquisito não encontrar nenhum jornal... Os médicos me proibiram de navegar na Internet. “Esqueça o mundo por uma semana”, disse o psiquiatra. E assim foi. Se for para descansar, não vi nenhum noticiário. Diverti-me com uma penca de DVDs com filmes policiais e comédias românticas que Paulo trouxera para mim. Eu e "seu Chico" demos boas gargalhadas. Ele fazia sucos e cortava frutas para nossas sessões. Percebi que ficava me vigiando. Não me deixava atender ao telefone e se deu ao direito de selecionar quem devia ou não falar comigo.
Colegas me ligaram para saber como eu estava. Todos tinham respostas esquisitas quando o assunto era Lúcia. Suspeitei que me escondessem algo. Insisti muito e Paulo não teve outro jeito. Deu-me a notícia que eu, no fundo, já suspeitava. Gaúcho tocou a campainha de Lúcia até incomodar os vizinhos. O celular estava desligado. Pediu ajuda a um amigo policial e um chaveiro abriu a porta. Lúcia estava morta há três dias. Foi encontrada nua, deitada em sua cama. Na mesa de cabeceira, inúmeros frascos de medicamentos de tarja preta, garrafas de vodka e uma seringa ao lado de papelotes de cocaína.
Não consegui chorar, falar. Quase desmaiei. Meu Deus, aquela mulher que fora tão doce e segura comigo tinha uma vida de pavor. Passou por várias operações. Tinha dores horríveis na coluna e era obrigada a tomar cortisona. Isso a fez viver um eterno efeito sanfona. Engordava, seguia para um spa. Ficava magra e linda, mas seus problemas de saúde exigiam remédios que retêm líquidos e engordam muito. Soube que ela era uma espécie de Maysa do jornalismo carioca. Teve inúmeras desilusões amorosas e já havia tentado se matar antes.
Era tão ética que chegou a pedir demissão sob o argumento de que não poderia fazer suas reportagens de economia porque se apaixonara por um poderoso ministro. O editor antecipou suas férias e conseguiu uma licença sem vencimentos. O ministro a abandonou assim que ela precisou retomar as drogas que a transformaram em uma baleia. Pior. Disse que ela não tinha vaidade e chegou ao cúmulo da agressão física. Pobre Lúcia! Brasília inteira sabia da bissexualidade desse crápula e de seus vícios que levariam qualquer outro cidadão para a cadeia se fosse pego numa blitz. Ele é movido à cocaína e acabou arrastando a indefesa e carente Lúcia.
No apartamento dela, a Polícia encontrou muita cocaína, LSD - Ácido lisérgico em forma de selo, com um enorme poder alucinógeno. Experimentei uma vez em Londres. Foi uma experiência horrível. Uma bad trip. Fiquei paranóica e achava que meu amigo queria me matar. Não podia crer que a própria Lúcia teria comprado tudo aquilo e matinha uma conexão com traficantes da classe média alta do Rio. Ligava-se e recebia-se a mercadoria em casa. Meu amigo André tem seu dealer, em Londres. É um jamaicano engraçado. Ele me dava de presente speeds e ácido. Eu repassava tudo para André.
O material da casa de Lúcia era explosivo. Além da variedade de drogas, havia fotos dos dois juntos, filmes com eles em Aspen, objetos de sex shop, incluindo um artefato conhecido por ser usado por mulheres para fazer sexo anal com seus parceiros. Tinha uma fita com os dois transando.
Paulo fez de tudo para que isso não viesse à tona, mas uma das revistas semanais mais importantes do país publicou uma extensa matéria sobre o assunto. Não foi por acaso. O dono da revista, conhecido por fazer extorsão com autoridades e empresários para não exibir reportagens comprometedoras nas suas páginas, deve ter sido bem pago para derrubar um dos mais poderosos ministros brasileiros que não estava agradando a muitos empresários da Fiesp. Foi o estopim para que os jornais populares do Rio e São Paulo explorassem o caso com muita maledicência. Não se sabe como, mas um deles publicou fotos de ambos em uma situação comprometedora. Sujaram a honra e a dignidade de Lúcia. Parecia que Brasília se tornara Londres.
Pela primeira vez, após a inédita publicação na mídia de um caso de um senador (Renan Calheiros) com uma jornalista (Mônica Veloso), o Brasil experimentava um escândalo sexual que lembrava o episódio John Profumo, ministro inglês da Defesa que teve que abandonar o cargo nos anos 60 ao se envolver com a prostituta Chistine Keeler. A moça, muito bonita, também tinha como cliente o adido militar soviético, Eugene Ivanov. Não é preciso dizer que as aventuras do ministro inglês sepultaram para sempre sua carreira política. O ministro brasileiro deposto desapareceu. E Lúcia virou puta, alpinista social, drogada. Tudo aquilo que ela nunca fora. Deixou-se levar por mais uma promessa de amor, ao longo de uma vida repleta de desenganos. Era mais fácil atacar a mulher. E o desgraçado do ministro? Era santo?
Paulo ligou para seu médico. Ele apareceu no meu apartamento e me deu um coquetel de sedativos. Sentia_ culpada. Poderia ter me aproximado mais dela. Sei o que é ser caluniada de forma violenta. Isso me abateu. Já tentei a mesma coisa há muito tempo por me importar com injúrias de mulheres ressentidas. Uma das piores veio de uma gaúcha que foi exportada para Brasília.
Durante um certo tempo, cobrimos a mesma área. Eu me divertia com ela falando ao telefone com o novo marido, então diretor de jornalismo de uma emissora de TV, conhecido nacionalmente como mau-caráter e sem escrúpulos. Ela o chamava de "meu torturador apaixonado". Depois, subiu feito um foguete e tornou-se secretária de redação em São Paulo, na sede do jornal, e nunca mais nos vimos.
Passei tempos sem ter notícias dela. Um belo dia, um grande amigo do peito me contou que teve que esbravejar, gritar, brigar por minha causa. Essa gaúcha sem o acolhimento e a graça de seus conterrâneos, começou a dizer que eu escrevia cartas eróticas para um dos criadores do Plano Real. Isso me feriu tanto...Fiquei uma semana sem trabalhar, com atestado médico. Não poderia mover uma ação por injúria, calúnia e danos morais. Colocaria meu amigo em risco de perder seu emprego. Ele já estava na mira para ser demitido se continuasse bebendo gim como se fosse água mineral.
Por causa dela, tentei tirar minha vida. Na época, não suportei o mal que ela me fez. Hoje, isso nem passa pela cabeça. Sou uma sobrevivente que quase naufragou. Amo a vida com tudo que ela me dá. Seja bom ou mau, sempre aproveito algo. Sou uma mulher livre e faço o que quiser. Que se danem as psicóticas, mitômanas e sociopatas. Acho que não há cura para esse tipo de gente. Muitas vezes me questiono se são doentes mentais ou maléficas.
Continuo com um defeito horroroso: eu me satisfaço com a vingança. Às vezes, penso que sou uma bruxa, pois meus inimigos acabam experimentando dissabores cruéis. Como essa gaúcha, que deveria ser internada em um manicômio, não foi diferente. Muito tempo depois, ela decidiu ser moderna e tirar férias de 50 dias (tinha folgas acumuladas) sem a companhia do seu homem e voou para à França. Não deu certo. Ela queria muito ter filhos, mas não conseguia a concordância do companheiro. Esse era mais um dos seus inúmeros casamentos e ele já tinha cinco mulheres para pagar pensão. Ao regressar dessa maravilhosa excursão pelo interior francês, visitando castelos e vinícolas famosas, uma desagradável surpresa: seu querido marido teve um caso com outra mulher. Não bastasse isso, era uma das repórteres que ela comandava. Pior ainda: a outra ficou grávida e decidiu não fazer um aborto, apesar da insistência do galinha.
Coitada, a gaúcha surtou. Quase morri de felicidade. Ela é ruim. Delicia-se com o mal que faz aos outros. É tão doentia que sente prazer em prejudicar os outros. Não tem charme. Parece um cachorro pequinês, com seu nariz sendo a mesma coisa do focinho da cão. Pouco depois, seu ex-marido casou novamente com uma bela e jovem repórter. Ela se transformou em uma das mais famosas jornalistas da televisão e sex symbol para a audiência masculina. Essa deusa deve atormentar a nefasta todas às noites em que aparece no vídeo.
O suicídio de Lúcia e o estrago que uma imprensa escrota fazia com sua integridade e decência como ser humano, lembrou-me aquilo que minha fracassada iniciativa de me matar por causa da maldade de humanos que parecem a encarnação do diabo em pessoa.
Desabafei com Paulo e dormi. Voltaria linda, gostosa, perfumada e com um legítimo vestido Gucci assim que retornasse ao trabalho. Eu mereço. Tenho certeza que Lúcia se sentiria homenageada por eu não ter tropeçado mais uma vez. Além disso, tomei uma decisão: iria aproveitar todo o poder que pudesse ter no jornal enquanto o playboy Paulo estivesse comigo. Cansei de ser santa e levar porrada. Desta vez, meu projeto era alto. Queria chegar à editora-executiva da Gazeta, ser parte do seu conselho editorial e ainda castigar muitos desafetos.
Na semana em que estive reclusa, escrevi um artigo para um outro jornal. Tive que implorar para que "seu Chico" não contasse nada para o Paulo. Precisava, necessitava e desejava tentar varrer o que estavam fazendo com ela. Liguei para a editora de uma das revistas femininas de maior circulação. Nunca a vi e nem a conheço. Pedi para que me deixasse escrever outro artigo sobre Lúcia. Nos dois casos, deixei claro que não queria nenhum dinheiro por isso. Deu certo, mas levei uma bronca enorme do Alan e do Paulo. Valeu. Fez-me bem ao meu espírito, meu corpo e minha alma. Eu fiquei em paz novamente. Enfrentaria um terremoto pela frente assim que fosse para Brasília como diretora.
Deixei a minha sala com a já folclórica enorme nécessaire. Alan já começou a me gozar. Tinhs que fazer uma nova maquiagem.
-Onde é a festa? Eu também quero ir?
-Vai à merda! Convide sua mulher para sair enquanto ela não arruma outro. Deixe de ser galinha!
-Eu não sou galinha, minha querida. Gosto de mulher.
-Mas eu não gosto de você, estamos entendidos?
Como sempre, acabávamos rindo, mas eu, realmente, detestava Alan. Para mim, ele era um robô que Paulo trouxe do Japão para ser o novo editor-executivo. Era dura demais com Alan, mas era preciso. Quero um relacionamento unicamente profissional com ele.
Era inevitável. Toda vez que passava com minha enorme nécessaire em direção ao banheiro, os engraçadinhos assobiavam. O editor de esporte perguntou se eu estava “naqueles dias”. Disse-lhe como ele estava ultrapassado. Mulher moderna não menstrua mais. Indaguei se a mulher dele não sabia que havia vários recursos para suspender a menstruação, algo horrível para quem sofre de forte TPM.
Minha nécessaire tinha de tudo. Era quase uma bolsa da Mary Poppins. Amo o filme sobre a adorável babá inglesa. Tinha todo tipo de maquiagem, da Avon, Lancôme aos produtos da Mac; calcinhas; lenços umedecidos para higiene íntima e outros para bebês, utilizados para limpar as axilas e retocar o desodorante; Leite de Rosas; produtos para tirar a maquiagem; algodão; meus dois perfumes prediletos; e um aparelho para curvar os cílios.
Quando eu já tinha feito quase tudo e iniciei a maquiagem, senti os sintomas iniciais da Síndrome do Pânico. Parei tudo e fiz exercícios de respiração. Só então me dei conta que eu estava me preparando com todos os requintes para o dono do jornal. Senti calafrios e vontade de chorar. Lúcia entrou no banheiro e percebeu que eu não estava bem. Desabei em prantos. Ela não me perguntou nada. Abraçou-me e disse: - Vai passar. Mal a conhecia, mas deu para perceber que ali estava um ser humano decente. Só disse que estava com muito medo. Ela ficou um tempo comigo, fazendo os malditos exercícios de respiração. Perguntou-me se eu queria um Rivotril. Aceitei porque poderia necessitar mais tarde.
Não conseguia compreender o turbilhão de emoções que ocorriam. Tive que passar a loção para tirar a maquiagem, usar o tônico e passar a base. Desta vez, não chorei. Fiz uma maquiagem sexy, sem ser vulgar, com um ar mais natural. Usei perfume até nas partes íntimas. Pensei: seja o que Deus quiser! Arrumei meus cabelos passando uma chapinha. É claro que, ao sair, foi outro festival de fiufiu. Resolvi levar na brincadeira e desfilei para a editoria de economia.
Já passavam das oito e meia da noite. Ainda não tinha subido para a sala do Paulo. Esperava um momento mais discreto. Meu celular toca. É o próprio diabo.
-Suzana, você vai me dar um bolo?
-Não. Só busco uma maneira de subir sem ser notada.
-Você é muito preocupada com o que os outros pensam. Sobe agora.
Eu subi. Ele logo disse: -Hum, isso tudo é para mim. Gostei.
Eu perdi o controle.
-Paulo, eu e você temos a mesma idade. Tenho celulite, estrias e minhas pernas estão flácidas por causa do período longo em que estive doente. Não sou prato para o seu cardápio. Sou carne velha para um homem quase cinqüentão, que só come modelos de 20 anos.
-Perdoe-me. Esqueci que você é muito sensível e deve estar nervosa. Também estou.
-Duvido. Onde vamos? Não almocei e apenas comi frutas, tomei leite de soja e comi queijo cottage.
-Então, minha querida, você vai ter o que quiser. Será um banquete.
O Jornal Nacional acabou. Não gostei do novo corte de cabelo de Fátima Bernardes. Descemos até à garagem e ele me deu a chave do carro. Eu recusei.
-Não estou em condições de dirigir. Você sabe que esse jantar me deixou com os nervos à flor da pele.
-Calma. Não vai acontecer nada que você não queira. Não sou o monstro que falam. Sei que você é uma mulher especial e pouco ligo se você tem celulite, estrias ou qualquer outra besteira.
Deixamos a Gazeta. Pedi para Paulo ir pelo Aterro do Flamengo, uma paisagem sempre fascinante. Escolhi um CD: The Best of BB King. A noite era própria para ouvir blues. Eu me distraí. Quando saí de uma espécie de transe, Paulo já estava dando as chaves da BMW para o manobrista. Não tinha a mínima idéia onde estava. Entrei num restaurante lotado de celebridades. Fomos direto à mesa reservada por Paulo, que cumprimentou a maioria dos presentes. Não achei isso nem um pouco agradável.
Sentados, o maître mostrou que Paulo era um habitué. Perguntou se ele iria beber o de sempre. Paulo disse que não.
_Quero uma garrafa de Champagne Louis Roederer Cristal Brut da melhor safra que você tiver. É para você e eu, Suzana.
-Estou nervosa. Você já me beijou e eu não me lembrava. Quase fomos para cama. Nunca tive relacionamentos com chefes, muito menos com o dono do jornal. Mas vou beber. Você sabe que posso perder o controle.
-Você não deu nenhum vexame.
-Pode-se comer ostras aqui sem risco de parar no pronto-socorro?
-Pode, mas por que você não pede uma porção de caviar. Sei que você adora.
-Está bem. Vamos falar de negócios enquanto ainda estamos sóbrios. Você sabe que sou uma ótima profissional, mas sou quase uma figura maldita em Brasília. Ninguém questiona meu excelente trabalho, mas inventam horrores ao meu respeito. Se você me quer como diretora da sucursal, desejo um contrato por escrito, com obrigações de ambas as partes. As novas contratações terão que ser aprovadas também por mim. Não quero o Alan enchendo a redação com seus amigos alcoólatras. Sei que a bicha do Alemão é intocável. Nós nos detestamos. Sou profissional. Ele será valioso em algumas situações. A coluna dele não passará por mim, mas qualquer matéria feita pelo sujeito somente sairá após minha autorização. Nem o coordenador de política poderá liberar qualquer reportagem dele. Quero ser indenizada pelo que já gastei no pouco tempo que fiquei no Rio. Nunca poderia imaginar que você me desse esse abacaxi ou esse prêmio. Também quero controlar as despesas dos almoços milionários do Alemão. Gostaria que você pedisse para ele ser mais discreto nas festinhas que promove na boite da sua casa, no Park Way. Ele faz papel de cafetão. Leva jornalistas novas e bonitas e as apresenta ao seus deputados queridinhos. Isso tem que parar. Já virou assunto até no Congresso. Um último detalhe: quero uma verba de representação.
-Você já é diretora Suzana. Faremos isso. Será um contrato com cláusula de confidencialidade. Os diretores têm direito até a uma casa no Lago, pago pelo jornal.
-Por que eu desejaria isso? Morar sozinha numa casa imensa. Prefiro a minha casa e meus pais.
-Está bem, mas o jornal precisa de um local para eventos ou encontros com autoridades, inclusive comigo.
-Isso não é problema. Aluga-se uma suíte presidencial em um hotel. Há restaurantes com espaços reservados.
-Acabou?
-Como?
-Eu quero saber se encerramos o assunto diretora e Gazeta?
-Por hoje sim. Devo ter esquecido alguma coisa.
-Encheu minha taça e a dele. Não deixou o garçom fazer isso. Brindamos a um recomeço. Somente não sabia o que poderia ser isso. O champagne me relaxou e morri de vergonha ao ouvir Paulo contar o que fizéramos juntos, há alguns anos, em Londres. Tenho amnésia alcoólica com pouca ingestão de bebida. Por isso mesmo, ainda estava na primeira taça e ele na terceira. Não me contive e perguntei-lhe se ele gosta mesmo de mulheres ou elas são apenas um objeto para mostrar seu poder. Ele ficou sério.
-Sou complicado como você. Já fui casado, mas não amei minha mulher. Agora, estou mais calmo. Cansei de tanta galinhagem e de mulheres que estão de olho na minha carteira. Sua pergunta demonstra um interesse. Há uma química entre nós.
-Já disse que sou carne velha. Não poderia fazer parte do seu menu. Passei por momentos difíceis e tudo que não preciso é me envolver emocionalmente com o homem errado. Ainda estou frágil e isso poderia me destruir. Tem a persona Suzana. É um personagem que criei para tentar sobreviver. Na verdade, estou ferida, sofrida e decepcionada com o mundo e as pessoas. Nunca fui amarga, mas tenho pavor de que me torne uma pessoa assim. Criei enormes barreiras ao meu redor. Já fiz todas as loucuras que desejei e que são comuns na minha geração. Tenho uma estante imaginária dos amantes que tive, mas que nunca os amei. Sempre os deixei. Acho que só me apaixonei três vezes na vida. Estou fugindo do bicho homem há algum tempo. De qualquer forma, caso fosse para cama com você, seria, também, mais um troféu, só que para você. Sei o destino que você dá a eles. Isso me mataria. Portanto, mesmo com o desejo que sinto, não estou preparada para o que você quer de mim neste momento.
-Você jamais seria um troféu. Obrigada pela confiança. Fui um tolo ao não perceber que você é, ainda, uma menina assustada com a maldade alheia. Não ligue para isso. Eles que são pervertidos, não nós.
-Engraçado. Você falou muito parecido com algo escrito sobre perversão por Oscar Wilde. Eu tenho a obra completa. Vou escrever e dar para você.
Ele tomou minhas mãos. Estavam geladas e tremiam. Tive vontade de chorar. Deu-me seu lenço. Nunca cogitei que ele fosse um homem como meu pai, que sempre traz seu lenço no bolso. É o complexo de Electra. Tomei mais um gole de champagne. O maître surgiu. Ambos escolhemos lagosta com camarão. Ele foi suave e conseguiu me deixar menos atônita.
-Suzana, se eu, algum dia, for para a cama com você, jamais será somente sexo. Não a amo, da mesma forma que você também não me ama. Não nos conhecemos direito. Tenho um profundo afeto por você, mas isso você já sabe.
-Não, não sei. Você terá que me mostrar. Devo estar cega ou muito medrosa.
-As duas coisas.
Ainda estava na segunda taça de Cristal, quando Paulo pediu mais uma garrafa. Perguntei se ele iria se embebedar ou se queria me embriagar.
-Você é fraca para bebida. Sou homem e tenho metabolismo diferente. Continue bebendo sem pressa, comendo esse prato maravilhoso.
-É o mais caro do restaurante. Aliás, até a água mineral custa uma fortuna aqui. Preferiria ter ido a lugar mais discreto. Você é muito conhecido.
Acabei de falar isso e um fotógrafo nos pega em um tremendo fraga, quando nos beijamos. Entrei em parafuso. Paulo levantou da mesa e voltou com o ship na mão.
Acabamos de comer e eu iniciava a terceira e última taça da noite. Não pedimos sobremesa. Eu pedi um conhaque francês e ele me acompanhou.
Fui ao banheiro. Escovei os dentes e retoquei a maquiagem. Caberia somente a mim definir os rumos da noite. E estava hesitante. Ele saiu de Ipanema, onde ficava o restaurante, e foi para Copacabana para me deixar em casa. Pediu para subir. Deixei. Ele estacionou o carro na minha vaga. Meu automóvel estava em Brasília.
A primeira coisa que fiz ao entrarmos foi tomar um banho. Pedi que ele fizesse o mesmo.
-Estamos suados. Gosto de corpos limpos.
Fiz um café e o meu desejo, há tanto tempo adormecido, chegou como um furacão. Ele percebeu. Gostou. Perguntou-me há quanto tempo eu não fazia amor? Falei que não estávamos fazendo amor, mas sexo. Três anos e alguns meses. Transamos tanto que eu, ao acordar, já estava com cistite. Tomei um antibiótico para evitar problemas. Estava dolorida...Ele disse que nunca passaria pela sua mente que fosse uma devoradora.
Fiz um belo café. Disse que isso não mudaria nada. Não fui para a cama com o dono do jornal, mas com o Paulo. Não sei se isso vai se repetir. No momento, eu preciso de um amigo.
-Você sabe que pode contar comigo.
Resolvi ouvir as mensagens na secretária eletrônica. Tirando a dos meus pais, todas eram de homens. O canalha do Alan e outros colegas com convites. Não sabia que o Rio de Janeiro tinha tantos homens disponíveis assim. Apaguei todas e falei para Paulo que eu não estava gostando nem um pouco do assédio do Alan. Já disse ao galinha que não estou disponível e que não saio com homens casados. A expressão facial de Paulo transparecia que ele não apenas não gostou. Ficou furioso. Disse que iria ter uma conversa dura com o seu editor-executivo.
Liguei para meus pais e deitei na cama novamente. Estava com sono. Acordei às 18 horas somente porque meu celular tocava insistentemente. Era o Paulo. Estava subindo. Surgiu com flores do campo e uma cesta recheada de comidinhas e, como não podiam faltar, duas garrafas de Cristal.
-Beijei sua boca, mas disse que eu não suportaria transar. Estava dolorida.
-Quem disse que eu vim aqui para isso?
Dormimos abraçados. Ele acordou primeiro. Preparou um brunch. Despertou-me com um beijo. Era sábado. O domingo foi do mesmo jeito. A única diferença é que pedi para ele comprar uma pomada vaginal e um gel lubrificante. Sexo só na manhã de segunda-feira. Liguei para o Alan e disse que tinha problemas e somente chegaria às 14 horas. Ele, dono do jornal, não devia satisfação a ninguém. Chegamos juntos, mas desta vez eu dirigi o carro. Tivemos sorte porque não encontramos ninguém na garagem.
Pela primeira vez na vida, não me sentia culpada por transgredir uma norma (onde se ganha o pão, não se come a carne). Trabalhei feito uma louca até meia-noite. Fui para casa e não atendi nenhuma ligação. Precisava realmente dormir.
MARVIN GAYE – SEXUAL HEALING –EXTEND VERSION
Sexual Healing Cura Sexual BEN HARPER MARVIN GAYE
Ooh, baby let's get down tonight Baby I'm hot just like an oven I need some lovin' And baby, I can't hold it much longer It's getting strongerstronger And when I get that feeling I want Sexual Healing Sexual Healing, baby Makes me feel so fine Helps to relieve my mind
Sexual Healing baby, is good for me Sexual Healing is something that's good for me Whenever blue tear s are falling And my emotional stability is leaving me There is something I can do I can get on the telephonecall you my baby, and Honey I know you'll be there to relieve me The love you give to me will free me If you don't know the things you're dealing I can tell you, darling, that it's Sexual Healing
Get up, Get up, Get up, Get up, let's make love tonight Wake up, Wake up, Wake up, Wake up, 'cos you do it right Baby I got sick this morning A sea was storming inside of me Baby I think I'm capsizing The waves are risingrising And when I get that feeling I want Sexual Healing
Sexual Healing is good for me Makes me feel so fine, it's such a rush Helps to relieve the mind,it's good for us Sexual Healing, baby, is good for me Sexual Healing is something that's good for me And it's good for meit's good to me
My baby ohhh Come take control, just grab a hold Of my bodymind soon we'll be making it Honey, oh we're feeling fine You're my medicine open uplet me in Darling, you're so great I can't wait for you to operate Get up get up get up get up let´s make love tonight wake up wake up wake up wake up cause you do it right
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Meu bem, não estou como se estivesse amando, preciso do teu amor Meu bem, não vou aguentar por muito tempo, este desejo está ficando cada vez mais forte E quando eu sinto esta emoção, eu quero cura sexual, cura sexual Oh meu bem, isso me faz sentir tão bem, ajuda a aliviar a minha mente Cura sexual, meu bem, funciona para mim, cura sexual é algo Que é muito bom para mim, sempre que lágrimas tristes começam a cair E minha estabilidade emocional está me abandonando, há algo que eu posso fazer Eu pego o telefone e te ligo, meu bem, e eu sei que você vai estar lá Para me orientar O amor que você me dá vai me libertar, se você não sabe daquilo que você está dando Eu posso te dizer, querida, é cura sexual Levante-se, levante-se... vamos nos amar esta noite Faça, faça, porque você sabe como fazer direitinho Meu bem, eu fiquei doente esta manhã, porque estava amanhecendo dentro de mim Meu bem, eu acho que estou capotando e as ondas estão se crescendo e crescendo E eu sinto esta emoção, eu quero cura sexual Cura sexual é muito bom pra mim, me faz sentir tão bem, é uma cura sexual Ajuda a aliviar a mente e é muito bom para nós A cura sexual, baby, é boa pra mim A cura sexual é algo que é muito bom Bom para mim, meu bem Não consigo me controlar, pegue o meu corpo inteirinho e então, logo, logo Nós estaremos nos amando, meu bem, oh, você está indo bem Você é o meu remédio, abra esta final feliz Querida, você é espetacular, não posso esperar mais para que você venha me operar Não consigo esperar mais para te ver operando Levante-se, levante-se, vamos nos amar esta noite Faça, faça, porque você sabe como fazer direitinho Não consigo mais esperar para te ver operando E quanto eu sinto esta emoção, eu quero cura sexual
Atravessei a minha adolescência no Rio de Janeiro. Passei no vestibular para a UFRJ. Porém, acabei estudando da Universidade de Brasília. Os anos 70 são inesquecíveis. Eu adorava passear em Copacabana. Como sempre estava entre os três melhores no simulado que meu colégio fazia todo mês. Meu pai recebia, inevitavelmente, o reembolso da mensalidade. É claro que ele me dava o dinheiro. Eu adorava torrar em boutigues como Lelé da Cuca, Liloca e Smuggler. Morar naquele apartamento, na Avenida Atlântica, me trazia recordações deliciosas.
Tomei um farto café da manhã. Arrumei minha “merenda” para aquele que seria o meu primeiro dia no bunker da Gazeta para montar quase um novo jornal. Frutas, barras de cereais, leite de soja e queijo light. Esse refúgio funcionava em um hotel, no Leblon. Na primeira semana, eu ainda poderia voltar para casa. Já na etapa seguinte, eu teria que mudar para uma imersão total, com mais 15 profissionais de diferentes áreas.
Peguei um táxi. A sala de reuniões era bastante confortável. Logo no primeiro dia, Alan me disse para avaliar e dar sugestões sobre todo o material da Sucursal de Brasília, incluindo a coluna de política. Cheguei a ficar 48 horas diretas, tomando Pepsi Light e café.
Ali não havia amadores, exceto eu. Todos tinham enorme experiência em projetos gráficos, edição e, como esperado, dois especialistas em Web designer. Ganhei uma tonelada de papel para ler as matérias produzidas por Brasília e as versões dos concorrentes. Não posso negar que fiquei com o ego um pouco maior, mas tratei logo de me lembrar que, no jornalismo, um dia se está no topo e, no próximo, está-se no olho da rua.
Sabia que eu participaria, de alguma forma, na operação desmonte da sucursal de Brasília. Por que faria uma análise de toda a produção, avaliando trabalho de cada repórter, incluindo a coluna política? Por isso mesmo, confesso que não fui santa e ultrapassei o sinal vermelho. Eu posso ser boa, mas sou terrível quando sou má, frase atribuída à cantora Maysa. O diabo surge. E ele apareceu com força assim que peguei a pasta de Melissa, uma baiana que inferniza minha vida há muito tempo.
Já havia me vingado quando a fiz perder seu único amor após a separação de Gilberto, seu ex-marido, um jornalista que somente sabe fazer uma coisa: publicar dossiês de corrupção que recebe prontos. Nada mais. Sérgio, um colega de faculdade, retornou ao Brasil e ao jornalismo. Estava doida nesse período, mas ele ganhava de mim. Era inconveniente. Tirava a roupa em festas e caía na piscina. Ele tornou-se grudento. Fazia-me mal ouvir fofocas sobre mim que insistia em me trazer. Acho que ele tinha uma queda por mim... Só de pensar, isso me causa arrepios.
Melissa é de classe baixa. Não tem pedigree. Ela queria tudo meu: minhas roupas, meu dinheiro para minhas viagens pelo mundo, meus homens, minha cultura, os idiomas que falo, minhas fontes, meu coiffeur, minhas amigas. Sou vingativa. E o ditado diz: a vingança é prato que se come frio. Diria que se come gelado.
Comecei a falar para Melissa que Sérgio a achava interessante. Pura mentira. Ele nunca havia notado a vira-lata como mulher, mas eu o manipulei direitinho. Forcei saídas noturnas juntas. O livro "Relações Perigosas", de Choderlos de Laclos, é um dos meus preferidos. Adoro o maquiavelismo amoroso e erótico contido nele. Eu me sentia uma Marquesa de Merteuil e Sérgio era meu Visconde de Valmont. Ele apenas não sabia disso. Coloquei milhões de caraminholas na cabeça dela. Afinal, para um pé-sujo como ela, Sérgio representava um príncipe. Ela nem perfume usava, imagine maquiagem! Ela comprou roupa nova para o aniversário do Sérgio. Adivinhe onde: na Rabo de Saia, que nem sei se existe mais. Era a minha loja preferida e cujas roupas ela sempre quis ter, mas não tinha o dinheiro suficiente para comprar uma coleção inteira. Tenho ainda um guarda-roupa só com peças dela.
A minha estratégia deu certo. Sabia que Sérgio nunca amaria uma mulher como Melissa, sem berço na burguesia, refinamento nenhum, até mesmo intelectual. Eu e ele nos identificamos muitos por que somos burgueses assumidos. Ele se divertia dando endereços caríssimos e cafonas para colegas jornalistas que viajavam, pela primeira vez, ao exterior. Sabia que Melissa seria um lazer enquanto ele não voltasse para os braços de uma diplomata americana, que tem um pai Senador. Imagine se Sérgio deixaria Chloé por uma Melissa sem classe e oriunda do proletariado. Nem em pesadelo! Sérgio era metido a aristocrata, como se fosse descendente de D. Pedro II. Apesar de toda a sua loucura, é um homem extremamente gentil e sofisticado.
O momento da vingança chegou quando os dois foram de férias para a Itália. Confesso que tive momentos de felicidade mórbida. Apenas aguardava o momento em que Melissa seria abandonada . E foi. Sérgio disse que estava confuso e foi se encontrar com seu verdadeiro amor, na Suíça. A própria Chloé mandou a passagem aérea para Genebra. Eles se casaram. Foi o maior pontapé na bunda que a perversa Melissa ganhou. O mais engraçado estava por vir.
Melissa me convidou para tomar um vinho na sua casa. Descobri que ela trouxe dezenas de latinhas de um patê ordinário, vagabundo, encontrado em qualquer supermercado ou mercearia de Roma... Ela me serviu esse patê horrível como se fosse caviar, uma iguaria dos Deuses. Ouvi suas lamentações, com esforço enorme para não rir. Afinal, escrevi esse roteiro. O filme foi dirigido por mim.
Por mais que ela me faça mal, tenho pena dela. Nunca será o que sonha ser. Late como um cachorro bravo, mas é só falarmos mais duro e ela se encolhe à sua insignificância. Não consegue chamar a atenção como fêmea em momento algum. É uma desgraça para qualquer mulher. Recentemente, espalhou em Brasília que eu usaria a desculpa de ter fibromialgia para comprar morfina e pegar “um barato”. Desisti de processá-la quando ela me disse ao telefone:- Sou mais importante que você atualmente. Ora, ela perdeu todo esse tempo querendo ser Suzana Barreto Viotti. Não chega nem aos meus pés.
Certamente, Melissa não ficaria no olho da rua. Ela é protegée de uma condessa descalça brasiliense. Essa senhora, que tem um jeito masculino mesmo usando uma saia curta e saltos altíssimos, possui uma corte de bajuladores. Quer ser adulada, principalmente por mulheres. Os únicos homens são gays, mesmo sendo casados. Estão no armário. Paulo sabia que eu não aceitaria qualquer função na sucursal de Brasília se ele conservasse a medonha Melissa. Houve um tempo, há anos, em que pensei que eu e a condessa fôssemos amigas. Enganei-me. Ela é tão carente, apesar do esforço em se mostrar como uma mulher segura, precisa de um cordão de paparicadores. Seus relacionamentos amorosos são um desastre total. Condessa, para que tanta terapia se você continua com cafajestes? Um dos seus últimos maridos, um ministro de Estado, cansou de me cantar em um período em eu e ela nos falávamos. Eu respondi: não sei o que sua nova mulher viu em você. Mesmo assim, tenho afeto e carinho pela condessa, mas lamento que ela viva uma fantasia. Seus amigos não são verdadeiros. Estão interessados naquilo que ela poderá fornecer a eles, desde um emprego em um ministério, uma assessoria em alguma estatal ou uma vaga na Gazeta. Esse último trunfo ela perdeu. Paulo não gosta nem um pouquinho dela. Seus amigos e protetores tomaram novos rumos. É claro que a carregaram junto.
Melissa realmente não nasceu para o grand monde. Seu destino é a feira do Guará (Mercado que funciona em uma das cidades satélites de Brasília. Vende-se de tudo, de artigo para umbanda, galinha viva, produtos nordestinos, roupas, panelas, pimentas, peixe). Acho um horror. Porém, confesso que vou à "Feira do Paraguai", local permitido pelas autoridades que vende eletrônicos, relógios, muitos falsos, DVDs e CDS piratas, tapetes persas, bebidas importadas, cópias medonhas de bolsas Louis Vuitton, roupas indianas... Não sou a única freqüentadora de classe média alta. Há deputados, senadores, socialites e integrantes do alto escalão do governo Lula que já puseram seus pés lá. É um verdadeiro bazar.
Agora, o destino me colocava nas mãos uma outra chance de desforra. Melissa, depois de trabalhar para o governo petista, voltou para a Gazeta, cobrindo a área em que ela tinha sido assessora de imprensa. Acho isso uma tremenda falta de ética! Merecia atenção dos sindicatos de jornalistas e da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), mas essas entidades estão mais interessadas em fazer política. De um universo de 50 mil jornalistas, apenas 3.500 votaram nas últimas eleições da Fenaj. Sou sindicalizada por uma questão de consciência, mas não me sinto representada pela Fenaj, que apóia projetos do PT que beiram o autoritarismo, como as propostas de criação de conselho de jornalismo e de um órgão para reger os meios de comunicação. Os dois projetos, felizmente, naufragaram. Afinal, stalinismo está fora de moda há muito tempo, mesmo nos partidos comunistas e socialistas europeus, mas ainda sobrevive em alas do PT.
Usei minha inteligência e criei uma nova Melissa. Apontei falhas horrorosas no trabalho dela, comparei a excelente cobertura de outros jornais, como Estado de São Paulo e Valor. Meu diagnóstico: muito dinheiro em uma repórter especial que fazia feijão com arroz. Isso não basta. Eu sabia que estava assinando, indiretamente, a demissão dela.
Melissa merece. Não sou nem um pouco santa. Estava sendo sacana com uma mulher que é capaz de tudo para subir na carreira. É uma filha da puta, sem humor ou charme. Mas o mundo dá voltas, não é mesmo?
Nada como um dia atrás do outro. Acabamos ficando um mês no bunker. Paulo, o publisher, anunciou as reformas do jornal, que circularia dentro de três meses com tudo reformulado. Vieram as demissões. Melissa e um outro idiota de Brasília, que não tem sequer uma fonte e somente escreve com base em relatórios, estavam no olho da rua. Queria comemorar.
A secretária de Paulo me chamou. Ele queria me ver o mais rápido possível. Voei até à sua sala. Ele percebeu que eu estava radiante de felicidade.
-O que houve, Suzana, para tanto frescor?
-Estou feliz.
-Eu desconfio...Você gostou da demissão da Melissa?
-Amei. Se é para jogar o seu game, eu já comecei. Vou tomar um kir royal hoje.
-Vou sair depois do Jornal Nacional. Vamos juntos para um ótimo lugar que conheço.
-Está bem. Preciso conversar com você, Paulo. Falei longamente com André e há coisas que eu não sabia ou ficaram no plano inconsciente. Você é o chefe supremo, mas não quero uma relação com base na mentira ou na farsa.
-Não faça drama. Você tem talento para diva. Deve ter sido cantora de ópera em outra encarnação.
- É perigoso beber com você pelo que André me contou. Não me lembrava. Sou uma profissional e nunca tive relacionamentos em redações, muito menos com chefes. O dono do jornal está fora de cogitação. Vamos tentar ser amigos?
-Suzana, você é muito neurótica. Eu gosto e respeito você. Fique calma.
-Por que você me chamou?
-No próximo mês, você vai ficar cada semana em uma editoria. Quero que saiba como funciona. Depois você segue para Brasília. Você vai ser minha interventora.
-Você ficou louco? Sou polêmica, falo aquilo que penso. Chamam-me de doida.
-É disso mesmo que preciso. Não se preocupe. Depois de encerrada a limpeza e a montagem de uma nova equipe, você poderá escolher se quer ser mesmo diretora da sucursal ou qualquer outra coisa. Preferiria que você ficasse, pelo menos, dois anos. Depois disso, pode ser aquilo que desejar. Gostaria que voltasse para o Rio. Preciso de você aqui.
-Acho que não preciso de um kir royal, mas de vários dry martinis. Porém, já sei que não é seguro beber ao seu lado, vou ficar com minha Pepsi. Você se esqueceu de me perguntar se eu quero a sua oferta? Discutiremos isso logo mais, à noite. Sem porre nenhum.(risos)
-Venha à minha sala para assistirmos ao Jornal Nacional. Depois, vamos juntos no meu carro.
-Você me deixa dirigir aquele BMW parecido com um Porshe?
-Você, no fundo, ainda é uma menina. Você dirige na ida. Na volta, eu retomo o volante.
-Já disse que não vou beber, mas vou pedir o prato mais caro do restaurante, de preferência, uma lagosta. E vou voltar de táxi caso você se exceda no champagne.
-Amanhã é feriado. Sei que você não trabalha.
-Você é um homem cheio de más intenções...(risos) Voltamos os dois de táxi. Não deixarei você dirigir bêbado. Já vi sua compulsão por garrafas caríssimas de champagne.
BLONDIE CANTA HEART OF GLASS
"Heart Of Glass"
Once I had a love and it was a gas Soon turned out had a heart of glass Seemed like the real thing, only to find Mucho mistrust, love's gone behind Once I had a love and it was divine Soon found out I was losing my mind It seemed like the real thing but I was so blind Mucho mistrust, love's gone behind
In between What I find is pleasing and I'm feeling fine Love is so confusing there's no peace of mind If I fear I'm losing you it's just no good You teasing like you do
Once I had a love and it was a gas Soon turned out had a heart of glass Seemed like the real thing, only to find Mucho mistrust, love's gone behind
Once I had a love and it was divine Soon found out I was losing my mind It seemed like the real thing but I was so blind Mucho mistrust, love's gone behind
Lost inside Adorable illusion and I cannot hide I'm the one you're using, please don't push me aside We could've made it cruising, yeah
Yeah, riding high on love's true bluish light
Once I had a love and it was a gas Soon turned out I had a heart of glass [radio version] Soon turned out as a pain in the ass [album version] Seemed like the real thing only to find Mucho mistrust, love's gone behind
Heart Of Glass (tradução) Blondie Composição: Blondie Uma vez eu tive um amor e era um "estouro" Logo mandei embora, tinha um coração de vidro. Parecia como a coisa verdadeira, Apenas para descobrir muita desconfiança. O amor ficou lá atrás...
Uma vez eu tive um amor e era divino, Logo descobri que estava perdendo minha cabeça. Parecia como a coisa verdadeira mas eu estava tão cega, Muita desconfiança, O amor ficou lá atrás...
Entre "aquilo eu acho que é agradável" e "estou me sentindo bem", o amor é tão confuso. Não há paz de espírito se eu recear que estou perdendo você, É simplesmente inútil você provocar como faz...
Perdida por dentro, Adorável ilusão e não consigo esconder Eu sou aquela que você está usando, Por favor, não me ponha de lado. Nós podíamos ter feito isso "caçando", sim.
Sim, viajando alto na luz verdadeira e azulada do amor.
Uma vez eu tive um amor e era um "estouro", Logo se transformou para ser um "pé no saco". Parecia como a coisa verdadeira, Apenas para encontrar muita desconfiança. O amor ficou lá atrás... http://rpc.copygator.com/ping/
Depois da bomba que Paulo, nome da Esfinge, jogou no meu colo, tive que vestir uma máscara. Eu me sentia mal escondendo algo grave e sério que afetaria a vida de muitos profissionais.
Fiquei praticamente muda na reunião de editores e repórteres especiais com o dono da Gazeta. Ao contrário da minha personalidade, aprendi que o silêncio é estratégico em determinadas situações.
Um editor fora de órbita sugeriu que eu fizesse uma matéria sobre o homossexualismo nas Forças Armadas. Foi o único momento em que me manifestei.
-Não faço isso de forma alguma. Já recebi essa pauta quando trabalhava no Mercúrio. Tive um trabalho danado, fui ameaçada na minha própria casa. O esforço de mais de um mês foi para o lixo e fui humilhada em plena redação por um dos diretores mais arrogantes da sucursal em Brasília. Disse que Bob, o publisher mais esquisito com quem já trabalhei, falara que aquilo que escrevi poderia ser tudo, menos jornalismo. Queria que eu desse nomes de supostos generais e coronéis envolvidos com homossexualidade. Ora, os militares têm uma política extremamente dura quanto a isso. Os oficiais são sumariamente passados para a reserva. O Bob que fosse a Brasília, fizesse a matéria, assinasse-a com seu nome de purpurina, colocasse o nome de todos e usasse os milhões do papaizinho para pagar as ações por injúria, calúnia, difamação e danos morais. Ele não sabe nada da área militar. Tem preconceito e não vou passar por isso de novo.
IRON MAIDE- FEAR OSF THE DARK
I am a man who walks alone And when Im walking a dark road At night or strolling through the park
When the light begins to change I sometimes feel a little strange A little anxious when its dark
Fear of the dark, fear of the dark I have a constant fear that someones always near Fear of the dark, fear of the dark I have a phobia that someones allways there
Have you run your fingers down the wall And have you felt your neck skin crawl When youre searching for the light? Sometimes when youre scared to take a look At the corner of the room Youve sensed that somethings watching you
Have you ever been alone at night Thought you heard footsteps behind And turned around and no ones there? And as you quicken up your pace You find it hard to look again Because youre sure theres someone there
Watching horror films the night before Debating wiches and folklore The unkown troubles on your mind Maybe your mind is playing tricks You sense and suddenly eyes fix On dancing shadows from behind
Fear of the dark, fear of the dark I have a constant fear that someones always near Fear of the dark, fear of the dark I have a phobia that someones allways there
When Im walking a dark road I am a man who walkes alone
-Suzana, aqui não é o Mercúrio e não somos irrealistas. Sabemos das dificuldades. Se você não deseja fazer, vamos deixar para outra época, disse um dos editores.
Paulo me salvou: - Não vou desperdiçar o talento da Suzana com essa pauta fora da ordem. Já dei uma tarefa para ela nesta semana e ela não ficará disponível para nenhuma editoria.
Sei que isso poderia iniciar boatos de que eu seria a “nova queridinha”. Não me preocupo mais com isso. Agradeci os convites para comemorações noturnas. Usei o argumento de que ainda estava me acostumando com tantas mudanças e que uma boa noite de sono era tudo que eu precisava.
Como a Esfinge mandou, fui me encontrar com o misterioso Alan. Inicialmente, ele queria jantar no Antiquarius. Disse que adoro o restaurante, mas não para jantar. Como pouco à noite e, de preferência algo leve. Sugeri um restaurante japonês em Copacabana.
Cheguei cedo e tive que esperar esse maldito Alan por uma hora. Já estava indo embora quando ele chegou.
-Você não iria me esperar?
-Não. Acho extremamente grosseiro um homem fazer uma mulher esperar por ele tanto tempo em um restaurante, ainda mais por se tratar de absolutamente business. Para minha surpresa, eu conhecia aquele que conduziria a reforma do jornal.
-Você tem razão. Desculpe-me.
-Eu não sei o que estou fazendo aqui. Portanto, quero ouvir mais do que falar.
-Você já sabe do processo enorme de mudança que vai ocorrer na Gazeta. Vai haver demissões. Teremos um novo formato gráfico para o jornal. Seções mais ligadas ao dia-a-dia do consumidor. Não queremos mais aquelas matérias em economês. Desejamos textos mais explicativos e o impacto disso para o país e a vida do leitor. Teremos um caderno novo que circulará aos domingos.
-Estava na hora. A Gazeta é um jornal que fez história e está sem identidade. Uma diagramação suja. A sucursal de Brasília parece um paraíso para repórteres chapa - branca ou que desejam sombra e água fresca. Está cheia demais e com jornalistas ganhando fortunas e produzindo material sem qualidade. Não sei como o Paulo consentiu uma sucursal com três diretores. Aquilo virou a casa da mãe Joana.
-Concordo com você. Brasília será o alvo da primeira mudança e não será delicada. Bem, eu e Paulo decidimos que, nesse processo inicial, você vai ser minha assistente. Paulo vai dar um nome bonito para isso. Eu preciso da sua experiência em Brasília.
-Mas eu não tenho um milésimo do seu preparo e cursos sobre como fazer um jornal. Eu fiz um workshop com você.
-Eu sei disso. Foi a que teve a melhor performance. Já acertei com Paulo que, a partir de amanhã, trabalharemos juntos. Vou apresentá-la a algumas pessoas que trabalharão na Gazeta.
-Eu pensei que fosse ser apenas repórter
-Você deveria se sentir orgulhosa por Paulo confiar em você. Não se preocupe. Vai dar certo. Você está menosprezando seu potencial. Você é um das mulheres mais inteligentes que conheço. É bom e ruim. A maioria dos brasileiros teme as que possuem um cérebro privilegiado. Agora, vamos deixar esse papo chato de lado. Você quer um saquê?
-Não. Estou de dieta e com enxaqueca.
-Você tem notícias da Viviane?
-Viviane? Nunca me passaria pela cabeça que você pudesse ser uma das suas vítimas. (Não consegui segurar o riso).
-É verdade que ela levou uma surra do Presidente do SDA?
-É. Teve que se esconder durante um mês na casa de praia do melhor amigo do espancador. Foi um enorme escândalo. Não foi só ela que apanhou de autoridades.
-E aí?
-Deveria cobrar por essa consultoria sexual sobre Viviane.
-Pensei que vocês fossem amigas.
-Também pensei.
-Ela ainda tem caso com o cara?
-Alan, o "cara" se separou da mulher e passou a circular, inclusive em viagens ao exterior com ela. Não foi um caso. Eles moraram juntos, entende? Como já era previsível, o político voltou para os braços da ex-mulher, que por sinal, mesmo mais velha que Viviane, é linda, classuda e muito inteligente. Eu a conheci.
-E por onde anda a Viviane?
-É diretora de uma empresa de comunicação. Trabalha em Brasília. Usou muito a influência de quem lhe aplicou uma bela surra para conseguir algumas vantagens, como cursos no exterior, inclusive um de mais de um ano, período em que se licenciou do jornal.
Você não quer mesmo tomar um drink em outro lugar? -Não. Acabamos por hoje? -Sim. -Ótimo. Moro aqui perto e vou caminhando. -Não prefere que eu a leve? -De forma alguma. Meu apartamento é perto e não tenho medo da fauna da Avenida Atlântica. Já cumprimento as putas que fazem ponto perto do meu prédio. Elas são minha segurança.
Cheguei em casa com uma enorme dor na nuca de tensão. Preciso localizar o André. Não me importa quanto esse DDI vai custar. Vou acordá-lo. Que segredo eu guardo do Paulo? Eu disse aquilo por pura intuição. Fiquei chocada com os tentáculos da Viviane, uma autêntica oportunista. É uma falsa, sem caráter algum. Fez e faz qualquer coisa para conseguir aquilo que deseja. Se ela escrevesse um diário de alcova, seria um verdadeiro best seller ao narrar os tipos de homem que passaram pela sua cama. Acordei André em Londres. De madrugada. Ele faz o mesmo comigo. Falei das novidades e perguntei o que aconteceu naquele final de semana infernal, no qual uma simples repórter, um diplomata rico, de uma família tradicional, e um dono de jornal aprontaram todas. André ficou surpreso? E me perguntou se eu não lembrava mesmo? A resposta dele quase me fez cair da poltrona. “Você e Paulo dançaram o tempo todo, sempre juntos. Em uma das salas vips de um dos clubes mais caros de Londres, ele pagou inúmeras garrafas de Cristal por que você disse que nunca as tinha tomado. Saí da sala Vip e caí na gandaia com amigos que estavam no clube. Quando voltei, encontrei vocês dois se beijando sem parar. Não se preocupe por que não aconteceu nada de mais. Você se recusou a passar a noite no Ritz com ele. Disse que ele lhe dava medo. Ele insistiu muito, mas você voltou para casa comigo. Você uma das poucas mulheres que lhe disse não. Ele apareceu de surpresa alguns dias depois. Trouxe chocolate belga e garrafas de Cristal. Você já havia seguido para Brasília e ele partiu no dia seguinte. Não se torture por isso. Vou ligar para ele hoje e sondar o ambiente. Se ele a contratou, obviamente, é por que a respeita como profissional. Continue posando de lady. Sei que você não vai conseguir dormir. Tome uns dois comprimidos de calmante e esqueça tudo isso. Você já foi muito castigada e maltratada pelos invejosos. No fundo, Su, ele deve ter um tipo de afeto por você, mas mantenha uma postura profissional. Sei que vocês sentem uma forte atração um pelo outro, mas ambos podem se tornar uma bomba atômica. Conheço-os muito bem. Vão acabar se machucando por causa das personalidades de vocês. Meu Deus! Meu passeio pelo Wild Side envolveu a Esfinge. E eu pensava que o segredo dele seria speeds e ácidos que poderia ter consumido...Não me senti culpada. Não sei explicar o motivo. Beijar na boca faz bem. Graças a Deus, Iemanjá, São Jorge, Santo Antônio, Buda, Shiva, Nossa Senhora da Aparecida, Alá ...conservei um pouco de lucidez. Para quem quer c onhecer um pouco de jung, clique aqui http://rpc.copygator.com/ping/
Sou pontual. Cheguei à sede da Gazeta às 9 horas. Aliás, madruguei. Queria ler os jornais. Depois fui ver se o “gaúcho”, velho amigo e um dos editores, já havia chegado. Ao procurá-lo no imenso corredor do décimo andar, aquilo que eu mais temia aconteceu. Dei de cara com a Esfinge. Ainda bem que eu estava bonita. Não me fantasio de jornalista e detesto o desleixo delas ao se vestirem.
-Você não é a Suzana?
-Você sabe que sim, não é mesmo? Não mudei muito da última vez que nos encontramos.
-Você continua a mesma de sempre.
-Por que diz isso? Eu deveria ter medo de você por que me contratou como repórter especial, apesar das objeções de alguns editores pelo fato de ser uma excelente repórter, mais polêmica? Não conheço um publisher mais controverso que você.
-Conhece sim. Não seja mentirosa, disse às gargalhadas.
-É verdade. Aquele seu falso amigo deve sofrer de alguma psicose séria. Você leu seu último livro?
-É claro que não. Agora, ele está pensando em escrever peças de teatro. Venha à minha sala para conversarmos. A reunião com editores e repórteres especiais, como a madame aqui, começará somente às 11 horas. Suzaninha, carioca não acorda cedo.
Eu sabia que seria alvo de interrogatório da Gestapo, mas decidi responder a verdade a todas as suas perguntas.
-Quer um café, um suco, água?
_Tem chá? De Camomila.
-Então, a repórter competente e como fama de "doida" volta em grande estilo.
-Você é que está dizendo.
-O que você acha do jornal?
-A Gazeta perdeu sua identidade. A edição de política é horrível. A Sucursal de Brasília está superdimensionada. A qualidade de boa parte dos profissionais deixa a desejar. Não há um comando eficiente. Você paga um salário altíssimo para um repórter que não tem nenhuma fonte. Ele faz ensaios com base unicamente em material do Banco Central, Ipea e Receita Federal. Vale mantê-lo para ter esse lixo duas vezes por mês? E a outra que era queridinha daquela bicha que você mandou para Brasília? É mais um caso que não sei o que faz. Ela era estrela. Agora, nem tem mais carteira assinada e cobre coisas sem importância. Isso desestimula qualquer um. A Gazeta virou motivo de piada em Brasília porque tem três chefes de sucursal. Os parlamentares ficam doidos e perguntam quem manda mais. Você precisa enviar um interventor rápido e urgente para fazer uma limpeza geral. Fica quem produz. Repórter especial que acha que basta ficar com a bunda na cadeira, na redação, e não ir ao Congresso e outros organismos deve ser demitido.
-Você não medo mesmo de mim, não é?
-Não. O máximo que pode acontecer é você me mandar embora e eu entrar para o livro dos recordes: a repórter que entrou e saiu no mesmo dia. Como vocês podem publicar artigos e reportagens sobre o mesmo assunto em diferentes páginas? Ou o editor está bêbado ou é incompetente.
- Eu já estava pensando em fazer grandes alterações no jornal e contratei uma consultoria internacional. Nenhum editor sabe disso.
-Por que está me contando isso? Quer testar minha lealdade?
-Não. Eu sei que você não trai, mas a trouxe porque tenho um papel especial para você. Na hora certa, você saberá.
-Credo! Do jeito que você é mau, já vou começar a procurar um terreiro para me benzer!
-Suzana, conto com sua discrição para não falar como nos conhecemos.
- Foi em Londres, na casa do André, que estava servindo na Embaixada do Brasil. Foi um final de semana muito louco. Isso já tem quase dez anos e eu não me preocupo com a vida dos outros. Seu segredo está seguro.
-Você está melhor agora. Voltou ao corpo de foca. Fuja do editor de política e do Carlos. Tiveram caso com repórteres e um deles deu muito problema.
-Não tenho caso com chefes. Aliás, fiz todas as loucuras da minha geração na época certa. Estou calma e estou bem sozinha. Aposentei minhas penas. Não quero e não procuro qualquer tipo de relacionamento com o bicho homem no momento. Mas você deveria dar o exemplo, não acha?
-Deixa de ser impertinente, Suzana.
-Eu quero que você conheça o Alan ainda hoje. Terá que ser fora do jornal, mas ela será o próximo editor executivo e quer conversar com você.
-Está bem. Porém, não se esqueça que não entendo nada de cozinha de jornal. Gosto é de escrever. Nasci para ser repórter.
-Será bom para você que os dois se entendam. Eu farei o anúncio nos próximos dias.
-Então, desembarquei no meio de um passaralho?
-Sim.
-Carlos sabe de alguma coisa?
-Não. Vocês são amigos?
-Sim. Ficamos tempos sem nos ver, mas sabemos do amor que temos um pelo outro. Eu o aceito do jeito que ele é e não cobro atitudes. Preferiria que não tivéssemos tido essa conversa. Vai me deixar ansiosa e com sentimento de culpa.
-Deixa de ser certinha! Você é uma excelente profissional e esta é chance de você calar a boca daqueles idiotas de Brasília. Eu não deveria ter deixado você sair em 1989.
Batem na porta. É o Carlos! Fiquei gelada.
_Posso entrar, chefe?
-Sim.
-Me dá um abraço, sua danadinha. Sarah está louca para vê-la.
-É a única amiga judia e sionista que eu me permito ter. Depois dela, só o Babylon. Deixei de comprar uma marca de cosmético famosa porque é feita em Israel.
-Você deveria trabalhar para o Hamas, provoca a Esfinge.
-Posso ser do grupo e você não saber....
Seguiu-se um festival de risos. Não me lembro do que Carlos e a Esfinge conversaram, nem daquilo que eu disse. Acho que só falei sim ou não. Estava confusa, preocupada e sabia que estava no meio de um furacão. Vou submergir, o que é difícil para alguém que chega de Brasília para ser repórter especial, ligada diretamente ao dono do jornal. Discrição e nada de bares. Vou recusar convites para comemorações noturnas. Não me dou bem com o álcool e posso falar besteiras.
CAPÍTULO 2 Um ano, seis meses e treze dias depois. Já vinte dois quilos mais magra e em terapia permanente. O Mercúrio não me fez bem. Aliás, quem fica muito por lá tem algum grave distúrbio psicológico, a começar pela dona do jornal, uma mitômana.
JOHN LEE HOOKER - SERVES ME RIGHT TO SUFFER
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Meu amado Claude,
Tenho novidades. Recebi uma proposta irrecusável da Gazeta do Rio. É um dos grandes quatro maiores jornais da Terra Brasilis. Eu já estava cheia de Brasília. Serei repórter especial. Irei a Brasília apenas para fazer matérias de fôlego e em outros lugares, inclusive a possibilidade de fazer reportagens internacionais sem o oba-oba da cobertura de eventos oficiais. Desconfio um pouco de tantas promessas, mas quem não arrisca, não petisca. Terei uma coluna semanal. Há uns presentinhos, chamados de bônus, que acabaram funcionando como um suborno para retornar ao Rio após tanto tempo. Ganharei um carro de luxo _ não me lembro nem da marca-, com um belo desconto obtido pelo jornal. Pagarei em suaves prestações. Não pesará no bolso. Porém, o que me seduziu mesmo foram as duas maravilhosas passagens internacionais da classe executiva que terei direito anualmente. Poderei transformá-las em praticamente quatro na classe econômica. Já pensou eu poder passar uns dias em Paris com você, nos feriados prolongados? Vou trabalhar em muitas dessas datas, por iniciativa própria, para ir à Europa quatro vezes por ano.
Já estou instalada em Copacabana, em um apartamento na Avenida Atlântida. É um prédio antigo. É de meu tio rico. Tenho sorte! Ele é meu padrinho e não me cobrará o aluguel. Pagarei o condomínio, e o IPTU, uma fortuna para o meu bolso, ele dividirá comigo. Têm alguns móveis antigos lá. Eu mesma pintei as paredes com cores alegres. A cozinha é vermelha. Fiz uma maratona em casas de móveis usados e meu apartamento está ficando legal, sem gastar muito. Contratei um senhor que transformou inteiramente as velharias do meu tio em peças únicas. Você vai amar quando me visitar. Copacabana é uma delícia porque todas as tribos convivem bem. É também um reduto gay, com muitas boates e bares até para os da chamada terceira idade.
O mandachuva da Gazeta tem fama de ter um comportamento meio esquizofrênico. Dizem que, ao falar conosco, do alto do seu pedestal, nunca encara os olhos do seu interlocutor.
Dizem que ele é um ditador. Porém, sei que jornalistas inventam, criam e espalham calúnias de profissionais que invejam. Só vendo para tirar minhas próprias conclusões. A forma como ele parece gostar de um profissional e, de repente, sem nenhuma razão aparente, transforma essa suposta admiração em humilhação, com seus comentários diretos e ferinos em reuniões de pauta, fazem dele um hitlerzinho. Descarta excelentes jornalistas sem hesitar. Esquece da dedicação e das inúmeras horas extras daqueles que foram seus colaboradores mais próximos.
Ele tem casos com editoras, coordenadoras e até uma pin-up girl, loira falsa, que testou a performance na cama de todos os chefes. Ela foi “exportada” para a Venezuela, onde expiou seus pecados e já está de volta. Com mais cultura, classe, sem a vulgaridade dessa femme fatale, uma editora foi parar em Londres. Teve um longo caso com o chefão; depois caiu nos braços, e na cama, do diretor para suplementos especiais; e terminou com o editor do jornal de domingo. Meus colegas mais antigos são cruéis. Dizem que essas jornalistas formam o pensionato do homem.
Segundo um amigo me disse, na última festa de final de ano, em uma badalada casa noturna na Barra, essa mulher sedutora, uma devoradora, apanhou da mulher do editor da edição de domingo. A “esposa” tomou vários dry martinis (um já me derruba) e começou a chamar a outra de todos os palavrões que conhecemos. Ela jogou uma garrafa em direção à moça, que por pouco conseguiu escapar. Quando todos fingiam que não havia acontecido nada e acreditávamos que o grande evento da noite já tinha se passado, a mulher pegou sua rival de surpresa. Deu-lhe várias tapas e socos. Chegaram a rolar no chão. Esse editor é um imbecil ou queria ver o circo pegar fogo. Deixou a festa arrastado pela mulher, depois de também levar uns tabefes. Bem feito!
Na segunda-feira seguinte a essa festa, na redação, todos pareciam idiotas, com cara de bunda e fazendo um teatro péssimo como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. No mesmo dia, a Esfinge soltou uma circular informando que sua mais recente amante seria a correspondente em Manaus. Nossa, para quem sonhava agarrar um chefe, ganhar status no jornal, seu projeto implodiu. À noite, após o fechamento, meu amigo, foram todos comemorar a derrota dela. Ela não tinha nada de santa. Fazia intriga com todos, não usava métodos éticos e profissionais para obter seus furos. Se minha avó Maria estivesse viva, tenho certeza que ela diria que a moça tinha “furor uterino”.
Voltando ao meu chefão, ele agora adotou o estilo “Caras”. Troca de mulher como os novos ricos e alguns playboys, filhinhos de pais milionários, que fazem um revezamento entre si com as mais belas modelos e algumas atrizes. É impressionante como elas acabam passando pela cama de todos eles. O que elas querem? Fama instantânea, mordomia provisória, como viagens internacionais? Ou será que essas criaturas, que não ficam menos de uma semana sem um novo namorado, sempre com uma enorme conta bancária, sonham em se arrumar na vida nesse triatlom afetivo e sexual? Será que elas imaginam que esses herdeiros as levariam para o altar? Ora, rico casa com rico. Elas são pura diversão. Nem passa pela cabeça delas que homens as colecionam como um objeto podem ser, lá no fundo, misóginos?
Sua última aquisição apareceu nua na Playboy. Algum esperto e cretino vazou para revistas sensacionalistas fotos da moça sem os reparos fantásticos do photoshop. Foi destaque até nos telejornais da noite. Eu e milhares de mulheres reais adoramos. Afinal, a “deusa” tem celulite, estrias e flacidez. Como era de se esperar, ele engoliu em seco e, em nome de um suposto jornalismo imparcial, publicou as fotos no seu jornal, na seção dedicada às celebridades. É claro que o caso acabou e a viagem de férias à Toscana, com o pagamento já feito para o aluguel de uma vila, desejo da Top Model, foi para o espaço. Para ela. Ele embarcou com uma nova colunista de moda do jornal. Melhor do que isso seria impossível. Ela é declaradamente bissexual.
Sei que você vai gargalhar quando receber minha carta. Gosto da sua mania de manter uma correspondência epistolar, deixando e-mails para recados rápidos. Tenho certeza que a Esfinge irá a Paris em breve. Seu pai é amigo íntimo do embaixador e o filhote é um dos convidados do encontro entre empresários brasileiros e franceses. Não sei se sabe que o grupo da Esfinge não se restringe ao jornal. Eles têm uma holding que administra fábricas, destilarias, uma siderúrgica, uma rede de lojas populares e um sistema de TV a cabo.
Somente começarei na segunda-feira, mas já sei de tudo isso. Repórter não perdoa. Adora fofoca. Na verdade, conheci-o de forma menos formal, em Londres. Estava passando férias na casa do nosso amigo André. O resto somente contarei pessoalmente. Nós sabemos o que o André apronta quando decide começar o final de semana na sexta, emendar o sábado, e terminar com um brunch no domingo. Acho que isso pode me ajudar. Pois conheço facetas da Esfinge que ele não gostaria que se tornassem comentários maldosos na redação. Depois escrevo como foi, está legal?
Sinto meu corpo cansado. Estou indisposta apesar de ter dormido mais de 12 horas. A depressão dá os seus sinais. É segunda-feira, pior dia para mim. Significa que contarei dia após dia até chegar sexta-feira, à noite, e me livrar dos horrores da redação. São 11h30. Já perdi a maldita reunião de pauta. É uma merda. Parece um grupo de teatro amador. Todos os atores desempenham seu papel muito mal. Cada um mostra sua persona. Porém, muitas vezes, as máscaras caem. É um espanto! Deparamos com um colega totalmente diferente da sua usual representação. Já perdi mesmo a reunião. Volto a dormir ao som da ópera Madame Butterfly, com Maria Callas. Minha vida está tão trágica quanto as óperas. Sempre invento uma desculpa para essas reuniões. Não gosto deste jogo escondido de esgrima, com inúmeros floretes assassinos no ar.
Acordei tarde, quase 14h. Tomei banho e fiz aquilo que eu odeio há algum tempo: ir à sucursal de Brasília do jornal Mercúrio. Eu me sinto uma estrangeira no meio de alpinistas sociais, farsantes, reprimidos sexualmente que não saem do armário e muitas mulheres preocupadas demais com a minha vida, meu trabalho, minhas fontes... Não me enquadro naquela escolinha em que recebemos notas como se ainda fôssemos crianças e tivéssemos que apresentar o boletim em casa. E o "professor" não é sempre justo. Usa outros critérios além do desempenho profissional. Nesse jogo, sempre perdi.Nunca dormi com nenhum chefe em toda a minha carreira. Já outras...
O problema é que a "professor" que nos avalia é bem diferente daqueles da nossa infância. A apreciação é feita por chefes que nem sempre usam critérios objetivos e éticos. Outros componentes podem entrar, como uma repórter cortejar um coordenador, dormir com o secretário de redação, até chegar ao diretor da sucursal. Há especialistas nisto. Selena era uma delas. Teve um caso com um chefe, casado, mas acabou se unindo matrimonialmente com um repórter. Que coisa cafona, mas o convite foi assim! Coitada, seu projeto de subir socialmente naufragou! Seu marido a trocou por uma modelo.
Antes de conhecer Selena e saber quem ela era, disse aos meus colegas que este nome não cheirava bem. Não é que eu acertei! Ela implicava comigo o tempo todo. Falava, pelas minhas costas, que eu bebia demais, que meu corte de cabelo curto era para mulheres bonitas _como se ela fosse uma beldade com aquela face enrugada precocemente, olhos de rato e o cabelo parecendo bombril, com luzes feitas em salão de quinta_ e indagou-me se eu não ficava deprimida, estando gorda, ao ler revistas tipo Boa Forma, Pense Leve, Dietas Já e outras do mesmo gênero.Lamento desapontá-la Selena, mas eu perdi 22 quilos. Joguei-lhe uma praga. Deu certo. Ela não conseguia permanecer por muito tempo nos vários jornais. Casou-se com um diplomata e vive hoje fora do Brasil, na África.
Acabo de chegar de uma longa viagem pela Europa: 20 dias na Itália porque não me canso de Roma, Capri, Veneza e Florença; e mais um mês em Londres. Adoro a cidade da rainha. Graças a um amigo gay e diplomata, conheci uma cidade que os turistas brasileiros jamais imaginam existir. Clubes fechados e restritos aos connaisseurs. Não possuem placa ou qualquer sinalização na porta indicando que ali funciona uma disco, um pub, um bar para sadomasoquistas e outras infinitas possibilidades. Algumas vezes, esses clubes mudam de lugar, mas os vips sempre sabem onde é a nova rota.
Foi uma das melhores viagens de minha vida. Assim que entrei no táxi, em Londres, em direção a Heathrow, senti uma vontade enorme de chorar e um medo terrível se apossou de mim. Enquanto aguardo meu vôo, comprei maquiagem no Duty Free e fui jantar em um bom restaurante. Uma taça de champanhe e salmon com fritas, encerrando com um belo capuccino. Detesto comida de avião da classe econômica.
Ao sentar na minha poltrona, ao lado de um casal, comecei a chorar sem parar. Eles eram ingleses e manifestaram paciência para ouvir minha triste história. Estive no exterior e não me sentira nem um pouco estrangeira. Agora, na volta ao meu país e ao nojento e asqueroso emprego no Mercúrio, inicia-se a sensação de que sou uma forasteira.
Tanta infelicidade me lançou em um processo de autodestruição. Consegui a façanha de ficar 22 quilos acima do peso. Sempre fui magra, mas o Mercúrio engorda. Muita gordura resultante dos "anestésicos" que usava: bebida alcoólica, exagero em doces e massas, ansiedade e um vazio que nada nem ninguém preenchiam. Sabia que precisava parar com tudo, sobretudo com o asfixiante trabalho naquele jornal, que eu nunca lia e somente passei a fazê-lo quando fui contratada. Era "o maior jornal da América Latina", diziam os inúmeros comerciais nas TVs e rádios.
Naquela época, o Mercúrio tinha prestígio, apesar das maluquices da filha do dono do diário, a temida e também odiada dona Rose. Claramente bipolar ou até psicótica, tinha ondas de amor e ódio por seus assistentes. Muitos acabavam na sua cama. O caso durava pouco. O infeliz era despachado para bem longe após o final do affair. Um estacionou no Japão.
Na redação, a primeira pessoa que encontrei foi Bob, que acabara de ser promovido a chefe. Foi mais um farsante que conheci. O antigo diretor o detestava e o premiava com péssimas avaliações. Bob passou a me bombardear. Nem ligava mais para o trabalho. Conscientemente, preparava minha saída.
O dia e a oportunidade certos chegaram numa terça-feira à noite. O caolho Bob me telefona às 22 horas para me informar que eu passaria a ser responsável pela cobertura de uma área que detesto e que possui uma sala de imprensa mais parecida com um manicômio. Só faltava uma camisa-de-força.
Recebi aquela notícia com tanto alívio que chorei ao telefone falando com aquele imbecil. Chegara a hora de morrer para renascer de novo. Pedi demissão. Pouco tempo depois, ligou a bicha Wandeca, meu grande amigo. Ele estava nervoso e preocupado. Foi logo berrando "O que você aprontou? O homem quer você, aqui, na redação, às 10 horas e sem atraso". Eu disse:"Calma Wandeka! Eu não lhe avisei que qualquer dia pediria demissão. Acabei de fazê-lo." Acrescentei que não iria a nenhuma reunião, não colocaria mais os pés naquela redação e se ele (Wandeca) quisesse me ver, que me fizesse uma visita.
Wandeca perguntou seu eu estava bêbada, drogada ou se tinha pirado de vez. Após muitas gargalhadas, expliquei que tinha recuperado minha razão e que drogas não eram a minha especialidade. Wandeka era entendido no assunto.
A bicha querida acabou concordando comigo. Wandeka mandou um motorista do Mercúrio pegar minha carta de demissão no dia seguinte. Arrogante que é, sei que dona Rose me chamou de ingrata por abandonar o seu glorioso Mercúrio sem dar satisfação a ninguém e recusar os pedidos para conversar com o diretor para ficar.
O mais difícil começou no dia em que meus laços foram totalmente quebrados com aquela forma horrenda de fazer jornalismo. Pediram que apresentasse um atestado de sanidade física e mental. Essa Dona Rose acreditava que eu estava tendo um surto ao sair do jornal. Eles estão acostumados a demitir. Porém, quando uma profissional conceituada e escolhida por eles para ser correspondente no exterior durante um ano como eu realmente fui decide mandá-los às cucuias, a cúpula a classifica de desiquilibrada. Se dependesse de Dona Rose, nós teríamos que pagar uma espécie de tributo por ela nos deixar trabalhar no jornal.
MARIA CALLAS CANTA MADAME BUTTTERFLY, DE PUCCINI "TU,TU,, PICCOLO IDDIO"
Eu estava finalmente livre, depois de quase dez anos de Mercúrio. Eu precisava reinventar minha vida. Quem era Suzana Barreto Viotti? Não imaginava a resposta. Sabia que meu caminho não seria fácil, mas certamente mais saboroso do que trabalhar em um ambiente onde os próprios chefes jogam seus repórteres uns contra os outros, estimulando uma competitividade pouco produtiva. Peguei do Mercúrio tudo que me serviria para continuar na estrada do jornalismo. Quando saí, abandonei um enorme fardo que carregava nas costas. Era o jogo do Mercúrio que não prestava para mim.
Uma mulher polêmica. Ou me amam ou me odeiam. Com o tempo, aprendi a ser um pouco mais tolerante. Porém, estou mais para leoa do que gata que sai miando por aí para conseguir o que deseja.
Meu modo de ser já me trouxe muita contrariedade. Sou de classe média alta, filha única e estudei em ótimos colégios. Sempre falava o que pensava quando era mais jovem. Não deu certo. Fui alvo de fofocas. Na época, se soubesse de uma certa injúria, teria tomado atitudes mais sérias contra o canalha machista que confunde competência com outros modos. Pobre infeliz! É a sina de qualquer mulher que trabalha com seriedade num mundo ainda patriarcal.Como sou espontânea e brincalhona com qualquer fonte, seja até o Presidente da República, já me chamaram de coisas que não vou repetir. Há muita inveja, mas sempre fui ética. UM PEQUENO RESUMO DA MINHA CARREIRA: TRABALHEI NA EXTINTA EMPRESA BRASILEIRA DE NOTÍCIAS, JORNAL DE BRASÍLIA, O GLOBO, RELATÓRIO RESERVADO, FOLHA DE S.PAULO, FUI CORRESPONDONDENTE EM BUENOS AIRES, ESTAGIEI NA ONU E TRABALHO PARA JORNAIS EUROPEUS, MAS TENHO UMA EMPRESA DE ASSESSORIA DE IMAGEM. COMO FALO O QUE PENSO, NÃO PODERIA SER MELHOR ASSESSORA. (GARGALHADAS)
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ESTE BLOG É UM ROMANCE EM CONSTRUÇÃO SOBRE OS BASTIDORES DO JORNALISMO. CRIEI O BLOG EM 2002 E APENAS TIVE CORAGEM DE COMEÇAR A ESCREVER EM 2007. E NÃO PAREI MAIS. PARA QUEM TIVER PACIÊNCIA, COMECE A LER O PRIMEIRO CAPÍTULO E PROSSIGA COMO SE FOSSE UM LIVRO IMPRESSO. ESTOU REESCREVENDO ESTA OBRA ABERTA. COMO JÁ REPETI VÁRIAS VEZES, A PROTAGONISTA NÃO É SÔNIA MOSSRI. MINHA PERSONAGEM PRINCIPAL RESULTA DA FUSÃO DE SEIS CONHECIDAS JORNALISTAS E DA MINHA IMAGINAÇÃO. AFINAL, ISSO AQUI É FICÇÃO. É CLARO QUE CONTÉM MUITO DE MIM E DA EXPERIÊNCIA DE 27 ANOS COMO REPÓRTER. VI MUITA COISA QUE ATÉ O DIABO DUVIDARIA!(RISOS)
JÁ CANSEI DE REPETIR QUE NÃO SOU SUZANA. DE IRRITADA PASSEI AO ESTADO DE PERPLEXIDADE COM A IDIOTICE DE ALGUNS POUCOS LEITORES DESTE BLOG, QUASE SEMPRE JORNALISTAS, QUE AINDA ME PERGUNTAM SE O MEU ROMANCE É UMA BIOGRAFIA. R.E.P.I.T.O.:SUZANA É A SOMA DE SEIS JORNALISTAS QUE EXISTEM NA VIDA REAL ALIADA A MINHA IMAGINAÇÃO.
PARA ESSES COLEGAS, SUGIRO QUE LEIAM UMA REPORTAGEM QUE INTEGRA A HISTÓRIA DO JORNALISMO ESCRITA PELO EXTRAORDINÁRIO GAY TALESE. EM 1966, TRABALHANDO PELA ESQUIRE ELE ESCREVEU UMA DAS MAIS FANTÁSTICAS REPORTAGENS SOBRE O ENTÃO STAR FRANK SINATRA. NÃO PRECISOU FALAR COM O ÍDOLO. CONVERSOU COM MAIS DE TRINTA PESSOAS. ISSO É O QUE SE CHAMA CONTAR UM HISTÓRIA. EU CONTO AQUI UMA ESTÓRIA.
"Frank Sinatra Has A Cold", Esquire, April 1966In the winter of 1965, writer Gay Talese arrived in Los Angeles with an assignment from Esquire to profile Frank Sinatra. The legendary singer was approaching fifty, under the weather, out of sorts, and unwilling to be interviewed. So Talese remained in L. A., hoping Sinatra might recover and reconsider, and he began talking to many of the people around Sinatra--his friends, his associates, his family, his countless hangers-on--and observing the man himself wherever he could. The result, "Frank Sinatra Has a Cold," ran in April 1966 and became one of the most celebrated magazine stories ever published, a pioneering example of what came to be called New Journalism--a work of rigorously faithful fact enlivened with the kind of vivid storytelling that had previously been reserved for fiction.
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NELSON RODRIGUES É MAIS ATUAL DO QUE NUNCA EM "OS IDIOTAS CONFESSOS" DO LIVRO "A CABRA VADIA"
Antigamente, o idiota era o idiota. Nenhum ser tão sem mistério e repito: — tão cristalino. O sujeito o identificava, a olho nu, no meio de milhões. E mais: — o primeiro a identificar-se como tal era o próprio idiota. Não sei se me entendem. No passado, o marido era o último a saber. Sabiam os vizinhos, os credores, os familiares, os conhecidos e os desconhecidos. Só ele, marido, era obtusamente cego para o óbvio ululante.
Sim, o traído ia para as esquinas, botecos e retretas gabar a infiel: — “Uma santa! Uma santa!”. Mas o tempo passou. Hoje, dá-se o inverso. O primeiro a saber é o marido. Pode fingir-se de cego. Mas sabe, eis a verdade, sabe. Lembro-me de um que sabia endereço, hora, dia etc. etc.
Pois o idiota era o primeiro a saber-se idiota. Não tinha nenhuma ilusão. E uma das cenas mais fortes que vi, em toda a minha infância, foi a de uma autoflagelação. Um vizinho berrava, atirando rútilas patadas: — “Eu sou um quadrúpede!”. Nenhuma objeção. E, então, insistia, heróico: — “Sou um quadrúpede de 28 patas!”. Não precisara beber para essa extroversão triunfal. Era um límpido, translúcido idiota.
E o imbecil como tal se comportava. Nascia numa família também de imbecis. Nem os avós, nem os pais, nem os tios, eram piores ou melhores. E, como todos eram idiotas, ninguém pensava. Tinha-se como certo que só uma pequena e seletíssima elite podia pensar. A vida política estava reservada aos “melhores”. Só os “melhores”, repito, só os “melhores” ousavam o gesto político, o ato político, o pensamento político, a decisão política, o crime político.
Por saber-se idiota, o sujeito babava na gravata de humildade. Na rua, deslizava, rente à parede, envergonhado da própria inépcia e da própria burrice. Não passava do quarto ano primário. E quando cruzava com um dos “melhores”, só faltava lamber-lhe as botas como uma cadelinha amestrada. Nunca, nunca o idiota ousaria ler, aprender, estudar, além de limites ferozes. No romance, ia até ao Maria, a desgraçada.
Vejam bem: — o imbecil não se envergonhava de o ser. Havia plena acomodação entre ele e sua insignificância. E admitia que só os “melhores” podem pensar, agir, decidir. Pois bem. O mundo foi assim, até outro dia. Há coisa de três ou quatro anos, uma telefonista aposentada me dizia: — “Eu não tenho o intelectual muito desenvolvido”. Não era queixa, era uma constatação. Santa senhora! Foi talvez a última idiota confessa do nosso tempo.
De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: — a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: — trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão.
Se o orador fosse Cristo, ou Buda, ou Maomé, não teria a audiência de um vira-lata, de um gato vadio. Teríamos de ser cada um de nós um pequeno Cristo, um pequeno Buda, um pequeno Maomé. Outrora, os imbecis faziam platéia para os “superiores”. Hoje, não. Hoje, só há platéia para o idiota. É preciso ser idiota indubitável para se ter emprego, salários, atuação, influência, amantes, carros, jóias etc. etc.
Quanto aos “melhores”, ou mudam, e imitam os cretinos, ou não sobrevivem. O inglês Wells, que tinha, em todos os seus escritos, uma pose profética, só não previu a “invasão dos idiotas”. E, de fato, eles explodem por toda parte: são professores, sociólogos, poetas, magistrados, cineastas, industriais. O dinheiro, a fé, a ciência, as artes, a tecnologia, a moral, tudo, tudo está nas mãos dos patetas.
E, então, os valores da vida começaram a apodrecer. Sim, estão apodrecendo nas nossas barbas espantadíssimas. As hierarquias vão ruindo como cúpulas de pauzinhos de fósforos. E nem precisamos ampliar muito a nossa visão. Vamos fixar apenas o problema religioso. A Igreja tem uma hierarquia de 2 mil anos. Tal hierarquia precisa ser preservada ou a própria Igreja não dura mais quinze minutos. No dia em que um coroinha começar a questionar o papa, ou Jesus, ou Virgem Maria, será exatamente o fim.
É o que está acontecendo. Nem se pense que a “invasão dos idiotas” só ocorreu no Brasil. Se fosse uma crise apenas brasileira, cada um de nós podia resmungar: — “Subdesenvolvimento” — e estaria encerrada a questão. Mas é uma realidade mundial. Em que pese a dessemelhança de idioma e paisagem, nada mais parecido com um idiota do que outro idiota. Todos são gêmeos, estejam uns aqui, outros em Cingapura.
Mas eu falava de que mesmo? Ah, da Igreja. Um dia, ao voltar de Roma, o dr. Alceu falou aos jornalistas. E atira, pela janela, 2 mil anos de fé. É pensador, um alto espírito e, pior, uma grande voz católica. Segundo ele, durante os vinte séculos, a Igreja não foi senão uma lacaia das classes dominantes, uma lacaia dos privilégios mais hediondos. Portanto, a Igreja é o próprio Cinismo, a própria Iniqüidade, a própria Abjeção, a própria Bandalheira (e vai tudo com a inicial maiúscula).
Mas quem diz isso? É o Diabo, em versão do teatro de revista? Não. É uma inteligência, uma cultura, um homem de bem e de fé. De mais a mais, o dr. Alceu tinha acabado de beijar a mão de Sua Santidade. Vinha de Roma, a eterna. E reduz a Igreja a uma vil e gigantesca impostura. Mas se ele o diz, e tem razão, vamos, já, já, fechar a Igreja e confiscar-lhe as pratas.
Cabe então a pergunta: — “O dr. Alceu pensa assim?”. Não. Em outra época, foi um dos “melhores”. Mas agora é preciso adular os idiotas, conquistar-lhes o apoio numérico. Hoje, até o gênio se finge imbecil. Nada de ser gênio, santo, herói ou simplesmente homem de bem. Os idiotas não os toleram. E as freiras põem short, maiô e posam para Manchete como se fossem do teatro rebolado. Por outro lado, d. Hélder quer missa com reco-reco, tamborim, pandeiro e cuíca. É a missa cômica e Jesus fazendo passista de Carlos Machado. Tem mais: — o papa visitará a América Latina. Segundo os jornais, teme-se que o papa seja agredido, assassinado, ultrajado etc. etc. A imprensa dá a notícia com a maior naturalidade, sem acrescentar ao fato um ponto de exclamação. São os idiotas, os idiotas, os idiotas.
[19/8/1968]
In Rodrigues, Nelson. A cabra vadia: novas confissões. São Paulo: Cia das Letras, 1995, p. 210.
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FIBROMIALGIA
PASSEI A COLABORAR COM O BLOG A FIBROMIALGIA. VEJAMAQUI Confiram aqui a história da Madame Mim do jornalismo de Brasília que soltou a cafona frase de alpinistas sociais: "Hoje, eu sou mais importante que você" após espalhar maledicências e preconceitos pelo simples fato de eu ter fibromialgia. Pobre coitada! Somente existe uma SÔNIA MOSSRI. PARA O BEM OU PARA O MAL (GARGALHADAS)
REVERÊNCIA AO DESTINO DO POETA MAIOR CARLO DRUMMOND DE ANDRADE
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?" Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras. Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
O GENIAL MÁRIO QUINTANA ESCREVEU UM POEMA QUE É A MINHA CARA.
Bilhete
Se tu me amas, ama-me baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa em paz os passarinhos Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
FRASES E PENSAMENTOS DE OSCAR WILDE -excelentes para arrivistas e invejosos
"Sim, sou um sonhador. Sonhador é quem consegue encontrar o próprio caminho ao luar e, como punição, vê o alvorecer antes do resto do mundo.
O público é maravilhosamente tolerante. Perdoa tudo, menos o gênio.
O verdadeiro inimigo da humanidade é o homem.
Não falemos de poemas morais ou imorais; os poemas são bem escritos, ou mal escritos. E só.
Aconselhar economia ao pobre é grotesco e insultante. É como aconselhar que coma menos quem está morrendo de fome.
A única diferença entre o capricho e a paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais.
Sentimental é o homem que vê um valor absurdo em tudo e não sabe o preço exato de nada.
Qualquer indivíduo pode ser sensato, desde que não tenha imaginação.
O homem pode ser feliz com qualquer mulher, até o dia em que começar a amá-la.
Só os medíocres é que são populares.
Não há livros morais nem imorais. O que há são livros bem escritos ou mal escritos.
Ser grande é ser incompreendido.
Todos sabem fazer história - mas só os grandes sabem escrevê-la.
O progresso é a realização de utopias.
Um pouco de sinceridade é coisa perigosa, muita é fatal.
Deus, ao criar o homem, superestimou Sua capacidade.
O patriotismo é a virtude dos viciosos.
Toda pessoa que diz sempre a verdade acaba sendo apanhada em flagrante.
Há apenas duas espécies de mulheres: as simples e as pintadas.
A verdade, em matéria de religião, é simplesmente a opinião que sobreviveu.
Os grandes acontecimentos do mundo têm lugar no cérebro.
Só há um pecado: ser tolo.
A vida é uma coisa muito importante para ser discutida a sério.
É justamente porque a humanidade não sabia por onde ia que conseguiu encontrar o seu caminho.
Uma verdade deixa de ser verdadeira quando mais de uma pessoa acredita nela.
Devemos ser modestos e lembrar-nos de que os outros são inferiores a nós.
Devemos ser modestos e lembrar-nos de que os outros são inferiores a nós.
Quem, sendo amado, é pobre ?
O mistério do amor é mais profundo que o mistério da morte.
Resiste a uma tentação e tua alma adoecerá de desejo pelo que lhe foi vedado.
Resisto a tudo, menos às tentações.
A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos a ela.
"NOUS VOUYONS LES CHOSE MÊMES, LE MONDE EST CELA QUE NOUS VOYONS: DES FORMULES DE CE GENRE EXPRIMENT UNE FOI QUI EST COMMUNE À L'HOMME NATUREL ET AU PHILOSOPHE DÈS QU'IL OUVRE LES YEUX, ELLES RENVOIENT À UNE ASSISE PROFONDE D' "OPNIONS" MUETTES IMPLIQUÉES DANS NOTRE VIE. MAIS CETTE FOI CECI D'ÉTRANGE QUE, SI L'ON CHERCHE À ARTICULER EN THÈSE OU ÉNONCÉ, SI L'ON SE DEMANDE CE QUE NOUS, CE QUE C'EST QUE VOIR ET CE QUE C'EST QUE CHOSE OU MONDE, ON ENTRE DANS UN LABYRINTHE DE DIFICULTÉS ET DES CONTRADICTIONS". PRIMEIRO PARÁGRAFO DO LIVRO "LE VISIBLE ET L'INVISIBLE", DE MERLEAU-PONTY. ESSE HOMEM NOS PROPOEM UM DESAFIO: REAPRENDER A OLHAR O MUNDO.
NA UNIVERSIDADE, APAIXONEI-ME PELO PROFESSOR DE FILOFIA QUE ME INICIOU NESSE FILÓSOFO. ACABEI MAIS APAIXONADA PELO AUTOR, CONHECIDO POR TRÊS PALAVRAS APARENTEMENTE COMPLICADAS: FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO. TEVE A CORAGEM DE ABANDONAR A DEFESA DO COMUNISMO SOVIÉTICO MESMO TENDO ESCRITO UM LIVRO (HUMANISMO E TERROR) EM QUE COLOCARA ESSE REGIME NAS ALTURAS. VIROU INIMIGO DE SARTRE POR ISSO.
"Ao quebrar o silêncio a linguagem realiza o que o silêncio pretendia e não conseguiu obter."
"Silence de La Perception Parole silencieuse, sans significations expresse et pourtant riche de sens -language-chose"
A base de sua teoria é a percepção como centro principal de todo o conhecimento. Por isso mesmo, seu estudo teria prioridade sobre o das ciências convencionais. O ser humano é a fonte de qualquer discussão sobre o conhecimento.
Influenciou a linguística, a psicologia e abordagens diferentes para a psicanálise freudiana.
Li sua obra muito jovem. Retomo agora e sinto algo novo, inexplicável até. Parece que andei cega...
Tenho sua obra completa em francês, em edições de bolso ou em papel jornal que comprei há exatos 28 anos. Ser quarentona tem vantagens. A vida e a experiência nos faz perceber detalhes que passavam despercebidos na juventude.
Gente, comprem a edição em português. Chama-se "O Visível e o Invisível". Não é complicado como Lacan. Dá para compreender seu pensamento. É claro que não é um livro para se ler em uma semana. Leia e releia. Saibam saborear devagar. Notei que sua leitura pode nos ajudar muito nesses momentos de indefinições e contradições.